O STJ (Superior Tribunal de Justiça) determinou a retomada da ação de improbidade administrativa contra o prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro (PL), conhecido nas redes sociais como o “Prefeito mais louco do Brasil”.
O processo, segundo reportagem do G1MS, apura se ele teria usado a exposição proporcionada por festas públicas, que consumiram cerca de R$ 3 milhões dos cofres municipais, para promoção pessoal.
A acusação é do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), que sustenta que o problema não está na participação do prefeito nos eventos, mas no protagonismo assumido por ele nos palcos e na posterior divulgação das imagens em seus perfis pessoais.
Juliano, que administra um município de cerca de 30 mil habitantes e reúne mais de 1 milhão de seguidores nas redes sociais, nega ter usado a estrutura pública para ampliar sua projeção. Ao ser questionado sobre o caso, argumentou que sua audiência na internet já supera em muito a população de Ivinhema.
“Hoje eu tenho um milhão. Ivinhema tem 30 mil habitantes. Eu não preciso usar a máquina pública para alavancar meu nome”, afirmou.
Prefeito como “atração”
Relatório do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) anexado ao processo reúne publicações feitas durante festas promovidas pelo município entre 2021 e 2023. Para os investigadores, em parte delas Juliano aparece como personagem central das comemorações.
Na Festa da Mandioca de 2022, por exemplo, o prefeito foi filmado de chapéu, cantando e dançando diante do público. O Gecoc descreveu a participação como semelhante à de uma “atração artística”.
Já na Festa do Peão daquele ano, Juliano apareceu no palco puxando o coro da plateia com o bordão “barracão véi assombrado”. Somente os cachês dos artistas relacionados pelo órgão nesse evento chegaram a R$ 555 mil.
As aparições continuaram em 2023. O relatório menciona registros do prefeito ao lado de nomes sertanejos como Loubet, Munhoz e Mariano e Luan Pereira. Parte das imagens também foi publicada nos canais oficiais da prefeitura.
A investigação ainda cita a Festa do Peão de 2021, quando Juliano teria participado das atividades na arena, feito manobras com um veículo e posteriormente montado em um touro vestido de peão.
R$ 3 milhões bancaram eventos
As festas analisadas pelo MPMS custaram R$ 3.070.224,85 ao município entre 2021 e 2023.
O valor, porém, não é apontado como dinheiro desviado pelo prefeito nem como prejuízo de R$ 3 milhões provocado por ele. A acusação é de que a estrutura financiada com recursos públicos teria sido utilizada para dar visibilidade e promover a imagem pessoal de Juliano.
Na ação, o MPMS pede a condenação do prefeito por improbidade administrativa e o pagamento de R$ 307.022,48 por dano moral coletivo, além das demais sanções previstas na legislação.





