O avanço do endividamento das famílias brasileiras expõe um dos principais desafios econômicos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Dados divulgados nesta terça-feira (27) pelo BC (Banco Central) mostram que o número de pessoas em situação de endividamento de risco cresceu 75% em cinco anos, chegando a 20,3 milhões de brasileiros em junho de 2026.
O levantamento abrange o período de 2021 a 2026, atravessando diferentes governos.
A ampliação do acesso ao crédito, inclusive por meio de programas federais, ocorre em um cenário de juros elevados e maior comprometimento da renda, aumentando os desafios para a política econômica.
Segundo o BC, os brasileiros classificados como endividados de risco representam 17% dos devedores do sistema financeiro. Entre aqueles que recebem até dois salários mínimos, 42% da renda já está comprometida com o pagamento de dívidas, sendo 15% apenas com despesas do cartão de crédito.
O relatório também aponta que as famílias utilizaram parte do aumento da renda disponível para assumir novas dívidas, inclusive em modalidades mais caras, como cartão de crédito e empréstimos pessoais sem desconto em folha. Esse movimento contribuiu para ampliar a vulnerabilidade financeira dos consumidores.
A situação coloca em discussão os efeitos da política de estímulo ao crédito e a necessidade de mecanismos mais rigorosos para evitar o endividamento excessivo.
Embora a expansão dos financiamentos possa impulsionar o consumo e movimentar a economia, a contratação de empréstimos com juros elevados pode comprometer o orçamento doméstico por períodos prolongados.
Apesar das sucessivas tentativas do governo Lula de conter o endividamento, o programa Desenrola Brasil e suas reformulações não conseguiram impedir o avanço do problema.
As iniciativas de renegociação de dívidas, apresentadas como alternativas para aliviar o orçamento das famílias, tiveram alcance insuficiente para reverter o crescimento do número de brasileiros em situação financeira crítica. O aumento de 75% em cinco anos coloca em xeque a eficácia das medidas adotadas e reforça as críticas à política de crédito do governo.
O programa foi lançado originalmente em 2023, reformulado em maio de 2026 e ganhou uma terceira versão em setembro. Embora as etapas anteriores tenham permitido a renegociação de dívidas de milhões de brasileiros, não foram suficientes para conter o agravamento do endividamento. Já o Desenrola 3.0 ainda está em fase inicial de implementação, sem resultados que permitam avaliar sua eficácia.
Novas medidas
Diante do agravamento do quadro, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, anunciou que a instituição prepara novas medidas para conter ofertas agressivas de crédito, especialmente direcionadas a consumidores que já enfrentam dificuldades para pagar suas contas.
Parte das regras anunciadas entrará em vigor em março de 2027, incluindo restrições à oferta de novos empréstimos para clientes considerados financeiramente vulneráveis.
O crescimento do endividamento também representa um desafio político para o próximo mandato de Lula. Além de estimular a atividade econômica, o governo terá de enfrentar a pressão sobre o orçamento das famílias e demonstrar que suas políticas de crédito e renegociação são capazes de reduzir o peso das dívidas sobre a população.
Embora os dados não permitam atribuir o aumento de 75% exclusivamente às medidas do atual governo, mostram que o problema continuou avançando durante sua gestão, apesar das iniciativas adotadas para facilitar o pagamento das dívidas. (Com Agência Brasil)






