O vereador licenciado de São Paulo Senival Moura, eleito pelo PT, voltou a ser preso nesta quarta-feira (28), em uma investigação sobre a infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) no transporte público da capital paulista.
A nova prisão ocorre após o parlamentar ter conseguido liberdade em agosto e reacende a controvérsia sobre a presença do crime organizado em empresas que recebem recursos públicos.
Senival é apontado pelos investigadores como uma das figuras centrais de um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a Transunião, empresa responsável pela operação de dezenas de linhas de ônibus em São Paulo.
Segundo as apurações, integrantes da facção teriam utilizado a estrutura empresarial para movimentar recursos de origem criminosa e ocultar patrimônio.
A operação desta quarta-feira foi conduzida pelo DEIC (Departamento Estadual de Investigações Criminais) e pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), ligado ao Ministério Público de São Paulo. Dos sete mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça, cinco foram cumpridos.
O caso ganhou repercussão política por envolver um vereador eleito pelo PT que exerce seu sexto mandato na Câmara Municipal de São Paulo. Senival foi preso pela primeira vez em junho, durante a Operação Última Parada, mas deixou a prisão em 5 de agosto, após decisão do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo).
As suspeitas vão além de eventuais relações com integrantes da facção. De acordo com a investigação, o parlamentar exerceria influência sobre a administração da Transunião, apesar de não integrar formalmente a direção da empresa.
Outro ponto que chama atenção é o volume de dinheiro público envolvido. Somente em 2025, a Transunião recebeu mais de R$ 300 milhões provenientes do sistema municipal de transporte, segundo informações divulgadas durante as investigações. A suspeita é de que a estrutura da concessionária tenha sido utilizada para beneficiar integrantes do PCC.
Desgaste político e investigação
A ligação do nome de Senival Moura ao escândalo também provocou repercussões dentro do PT. Após a primeira prisão, o parlamentar pediu afastamento da legenda, enquanto o diretório paulista encaminhou o caso para análise de sua Comissão de Ética.
No início de outubro, o Ministério Público denunciou Senival e outras 20 pessoas por suposto envolvimento no esquema. A nova prisão preventiva foi determinada no contexto do avanço das investigações sobre a atuação da organização criminosa no setor de transporte.
O episódio amplia o debate sobre a fiscalização das concessionárias de serviços públicos e a possibilidade de utilização de contratos milionários para movimentar recursos de organizações criminosas.
A defesa de Senival já havia negado as acusações e sustentado sua inocência. A nova prisão não representa condenação, e as suspeitas ainda dependem de julgamento pela Justiça.






