Política e Transparência

PF apura fraudes em municípios da Bahia e Piauí, governados pelo PT

Operação também alcança contratos no Espírito Santo e investiga R$ 17 milhões em contratações públicas, principalmente na área da saúde






A PF (Polícia Federal) e a CGU (Controladoria-Geral da União) deflagraram nesta quinta-feira (24) uma operação contra suspeitas de corrupção e fraudes em contratos municipais que tem entre seus principais focos a Bahia e o Piauí, estados administrados pelo PT.

A investigação também alcança contratações feitas por municípios do Espírito Santo.

A Operação Legado investiga 56 procedimentos de contratação realizados por 31 municípios, que movimentaram aproximadamente R$ 17 milhões. As suspeitas envolvem principalmente recursos destinados à área da saúde.

A ofensiva, segundo a Agência Brasil, ocorre em meio à reta final das eleições e mobiliza agentes em seis unidades da Federação. São cumpridos 44 mandados de busca e apreensão em 22 municípios da Bahia, Piauí, Espírito Santo, Minas Gerais e Sergipe, além do Distrito Federal.

A Bahia concentra a maior quantidade de mandados. São 27 buscas em 13 municípios, entre eles Itabuna, Ibirataia, Eunápolis, Salvador, Feira de Santana, Teixeira de Freitas e Vitória da Conquista. No Piauí, a operação chegou a Sebastião Barros, Corrente, Parnaguá e Bom Jesus.

As ordens foram expedidas pelo TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), que também autorizou 13 medidas patrimoniais e o bloqueio de até R$ 3,4 milhões em bens e valores dos investigados.

Segundo a PF, há indícios de atuação coordenada entre empresas, com simulação de concorrência e direcionamento de contratações. Os investigadores apuram ainda suspeitas de sobrepreço, faturamento de produtos que não teriam sido entregues e fornecimento de equipamentos usados apresentados como novos.

A investigação também identificou movimentações financeiras consideradas suspeitas e possíveis pagamentos de vantagens indevidas a agentes públicos. Empresários e atuais e antigos ocupantes de cargos públicos municipais estão entre os investigados.

Os fatos apurados podem configurar, em tese, crimes de organização criminosa, fraude em licitação e contrato público, falsidade documental, peculato e corrupção ativa e passiva. Até o momento, a PF não atribuiu as suspeitas aos governos estaduais nem informou vínculo partidário dos investigados.