Policial

Rede de tráfico movimentou R$ 1,3 milhão em dois meses

Operação Consortium cumpriu 14 mandados de busca em Samambaia, Sol Nascente e Taguatinga; grupo é suspeito de comprar drogas em outros estados e usar empresas de fachada para lavar dinheiro.






Uma loja de autopeças que movimentou R$ 1,3 milhão em apenas dois meses, apesar de não apresentar estrutura compatível com o volume financeiro, levou a polícia a identificar um possível esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas no Distrito Federal.

A suspeita resultou em uma operação realizada nesta sexta-feira (23), com buscas em três regiões administrativas de Brasília.

A investigação aponta que empresas de fachada eram utilizadas para receber pagamentos de traficantes e transferir recursos a fornecedores de entorpecentes de outros estados.

O dinheiro circulava por contas empresariais, numa tentativa de dificultar a identificação da origem dos valores.

Durante a Operação Consortium, a PCDF (Polícia Civil do Distrito Federal) cumpriu 14 mandados de busca e apreensão em Samambaia, Sol Nascente e Taguatinga. Quatro homens apontados como integrantes da organização estão entre os principais investigados.

As apurações começaram em junho de 2025, após a prisão de um suspeito de comandar a venda de drogas nas quadras 621 e 623 de Samambaia. A análise do material apreendido revelou indícios de uma rede maior, responsável por financiar a compra, organizar o transporte e distribuir entorpecentes na região.

Segundo a polícia, traficantes locais reuniam dinheiro para adquirir grandes quantidades de drogas em outros estados. Os produtos eram transportados por rodovias até o Distrito Federal, onde ficavam armazenados em chácaras de Samambaia e do Sol Nascente.

Depois de chegar aos imóveis, a droga era dividida e repassada aos participantes do esquema, responsáveis pela comercialização em diferentes pontos da região.

A movimentação financeira chamou a atenção dos investigadores. Uma das empresas identificadas, registrada no ramo de peças automotivas, apresentou transações milionárias em um intervalo de apenas 60 dias.

A perícia constatou que o estabelecimento não possuía instalações ou atividade comercial compatíveis com o dinheiro movimentado, reforçando a suspeita de utilização da empresa para ocultar recursos provenientes do tráfico.

Além da distribuição de drogas, a investigação busca esclarecer a participação dos envolvidos na administração do dinheiro e identificar outros possíveis integrantes da organização.

Os suspeitos poderão responder por tráfico de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas previstas para esses crimes podem chegar a 33 anos de prisão.

A Polícia Civil não informou se houve novas prisões durante o cumprimento dos mandados desta sexta-feira. A investigação continua para rastrear os recursos movimentados e identificar os responsáveis pelo fornecimento das drogas. (Jornal de Brasília)