Brasil

Vorcaro diz que deu R$ 30 milhões para filme de Lula em troca de negócios

O esquema foi divulgado na edição desta semana da Revista Veja.






O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou ter destinado R$ 30 milhões em espécie ao financiamento de um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como parte de um acordo para conseguir negócios bilionários com fundos de pensão ligados ao governo federal.

As declarações constam de áudios e documentos divulgados nesta sexta-feira (9), segundo reportagem da Revista Veja.

Segundo o relato, os recursos teriam sido repassados sem registro oficial, por meio de uma articulação envolvendo o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e Paulo Okamotto, dirigente do Instituto Lula.

O dinheiro seria utilizado na produção de um documentário dirigido pelo cineasta Oliver Stone, além de pagamentos destinados à entidade.

Vorcaro também descreveu uma negociação para permitir que o Banco Master captasse recursos de fundos de previdência vinculados à Caixa Econômica Federal, ao Banco do Brasil, à Petrobras e aos Correios. Como contrapartida, integrantes do esquema teriam exigido uma comissão de 10% sobre os valores obtidos.

Caso as operações fossem concretizadas integralmente, a previsão apresentada pelo banqueiro era de R$ 9 bilhões em negócios para o banco e R$ 1 bilhão em pagamentos aos envolvidos.

O relato menciona ainda Alexandre Padilha, então ministro da Secretaria de Relações Institucionais, e Olavo Noleto, que ocupava o cargo de secretário-executivo da pasta. Vorcaro afirma ter participado de reuniões e jantares com integrantes do governo enquanto buscava autorização para realizar investimentos com recursos dos fundos.

Em abril de 2024, o Banco Master passou a integrar a relação de instituições financeiras autorizadas a operar com determinados fundos de pensão. Conforme mensagens atribuídas ao banqueiro, um intermediário teria solicitado R$ 500 mil no mesmo período, valor apontado como adiantamento de uma suposta comissão irregular.

Apesar das negociações, as operações de maior porte com os fundos federais não avançaram conforme o planejado. A tentativa de captar R$ 500 milhões junto à Caixa enfrentou resistência e ganhou repercussão após a divulgação de questionamentos internos sobre o investimento.

Fundos municipais 

Vorcaro afirma, entretanto, que conseguiu realizar negócios com fundos municipais e que os pagamentos relacionados a essas operações teriam alcançado pelo menos R$ 6 milhões.

As declarações também estabelecem uma comparação com o financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. O banqueiro sustenta que os recursos destinados à produção sobre Lula teriam sido pagos de maneira irregular, diferentemente do patrocínio concedido ao projeto sobre o ex-presidente.

As acusações ainda dependem de comprovação. A PGR (Procuradoria-Geral da República) rejeitou uma proposta anterior de colaboração apresentada pelo banqueiro diante da insuficiência de provas materiais dos supostos pagamentos em espécie.

Lula nega ter solicitado ou recebido vantagens financeiras de Vorcaro, enquanto Padilha e Noleto negam envolvimento nas irregularidades relatadas. O grupo jurídico Prerrogativas também questiona a veracidade das declarações e pretende solicitar investigação sobre a possibilidade de um depoimento falso com finalidade eleitoral.

Vorcaro permanece preso em Brasília desde março, acusado de envolvimento em fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master. As informações apresentadas por ele não constituem, por si só, comprovação de participação dos políticos citados em crimes. (A reportagem é da Revista Veja).