A crise no STF (Supremo Tribunal Federal) entrou de vez no radar da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Aliados avaliam que o episódio ganhou uma dimensão maior do que a esperada e temem os efeitos políticos da associação entre Lula e o ministro Alexandre de Moraes.
A avaliação foi relatada pela analista de Política da CNN Clarissa Oliveira nesta quarta-feira (16).
Nos bastidores, integrantes da campanha demonstram preocupação com a exploração eleitoral do caso pelo adversário Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo a apuração, a expectativa é de que a crise no Supremo continue presente no debate eleitoral até o primeiro turno.
A sessão realizada pela Corte deixou uma espécie de “ressaca” no Palácio do Planalto. O governo vinha tentando se distanciar politicamente de Moraes sem, ao mesmo tempo, romper com o ministro. Dias antes, Lula também havia atuado nos bastidores para fortalecer o presidente do STF, Edson Fachin, como figura central na condução da crise.
Estratégia não alcançou resultado esperado
Segundo Clarissa Oliveira, ministros considerados próximos a Lula participaram da articulação favorável a Moraes dentro do Supremo. A estratégia buscava formar maioria para que os casos envolvendo Moraes e André Mendonça fossem analisados conjuntamente.
Na avaliação relatada pela analista, esse caminho permitiria reduzir o desgaste de Moraes sem exigir uma manifestação pública de Lula em defesa do ministro. A articulação, porém, não conseguiu formar o placar pretendido.
A resistência de Fachin e os votos de outros ministros impediram que o grupo obtivesse o resultado esperado. O julgamento acabou suspenso, mantendo em aberto o impasse que divide a Corte.
Crise aumenta pressão sobre o STF
A falta de uma definição manteve a disputa nos bastidores. Nenhum dos grupos envolvidos conseguiu consolidar a solução pretendida, aumentando a pressão por um desfecho para a crise.
O episódio também ganhou peso eleitoral. Levantamentos feitos pela CNN nos bastidores das campanhas já apontavam, desde o início de setembro, que aliados de Lula viam dificuldades em evitar desgaste com a aproximação construída entre o presidente e Moraes nos últimos anos, enquanto adversários buscavam explorar politicamente o caso.
Com a disputa ainda sem solução definitiva, a preocupação no entorno de Lula é evitar que a crise interna do STF se transforme em um problema ainda maior para a campanha na reta final antes do primeiro turno. (Com informações da CNN)





