O contrato milionário entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, voltou ao centro da crise no STF (Supremo Tribunal Federal) após o magistrado contestar o relatório da PF (Polícia Federal) apresentado pelo ministro André Mendonça e que aponta supostas trocas de mensagens entre ele e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O escritório Barci de Moraes firmou contrato com o Master que poderia alcançar R$ 131 milhões em três anos, com pagamentos mensais previstos de R$ 3 milhões líquidos, além dos impostos. Documentos divulgados no caso apontam que mais de R$ 80 milhões foram pagos pelo banco à banca até 2025. O contrato previa serviços jurídicos e consultoria estratégica perante diferentes órgãos públicos.
Outro ponto que entrou no centro da controvérsia foi a participação do próprio Moraes na elaboração do documento. Metadados analisados pela PF indicaram que a versão final da minuta teve alterações atribuídas ao perfil “Ministro Alexandre de Moraes”. O escritório confirmou que o magistrado teve acesso ao arquivo e afirmou que ele foi consultado, na condição de marido da sócia-diretora, para verificar a existência de eventuais impedimentos legais para a contratação. A banca sustenta ainda que Moraes nunca julgou processos relacionados ao Banco Master.
É nesse cenário que Moraes agora reage ao relatório apresentado por Mendonça. Em ofício encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin, na segunda-feira (14), o ministro classificou o documento como “nulo e imprestável” e afirmou que sua produção teria contado, provavelmente, com auxílio de um órgão estrangeiro.
Segundo Moraes, a situação representaria uma tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras de 2026. Ele também rejeita as supostas mensagens atribuídas a ele e nega ter cometido qualquer irregularidade na relação envolvendo Vorcaro e o Banco Master.
O ministro relacionou ainda o episódio a uma suposta vingança por sua atuação como relator de processos contra envolvidos na tentativa de golpe de Estado. Para Moraes, a forma como o material foi produzido e apresentado compromete sua validade.
Entre os principais argumentos apresentados pelo magistrado está uma possível quebra da cadeia de custódia dos dados. Esse procedimento registra todo o caminho percorrido por uma evidência, desde sua obtenção até a análise, justamente para permitir a verificação de eventuais alterações ou manipulações.
Moraes sustenta que os metadados do arquivo mostram que a abertura e a finalização do relatório ocorreram no mesmo dia nos computadores da PF. Na avaliação dele, isso levantaria a hipótese de que o documento tenha sido elaborado anteriormente fora da corporação e depois inserido nos sistemas policiais.
O ministro também relacionou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, determinado por Mendonça, à controvérsia. Moraes levantou a suspeita de que a medida pudesse ter como objetivo impedir a apuração sobre a possível participação externa na produção do relatório.
A disputa será analisada pelo STF em meio a uma crise interna provocada pelas acusações envolvendo Moraes, Vorcaro e a atuação de Mendonça. O relatório da PF, porém, não representa uma condenação do ministro, e Moraes contesta tanto a validade do material quanto as conclusões extraídas dos dados apresentados. (Com informações do portal Metrópoles)





