O candidato ao Senado Reinaldo Azambuja (PL) atribuiu ao cenário econômico brasileiro parte das dificuldades enfrentadas pelas empresas e do fechamento de lojas no país.
Durante reunião política nesta semana, ele criticou o custo de vida, o endividamento das famílias e defendeu mudanças na condução da economia.
“Hoje, está tudo caro, a receita está baixa e a economia não cresce”, afirmou.
A discussão ocorre em meio ao avanço dos processos de recuperação judicial no país.
Em 2025, 5.680 empresas estavam nessa situação no quarto trimestre, número recorde, segundo levantamento da RGF com dados da Receita Federal.
Recuperação judicial, no entanto, não significa falência: trata-se de um mecanismo para tentar reestruturar dívidas e manter a atividade da empresa.
Entre grandes companhias que enfrentaram processos recentes de reestruturação financeira estão Casas Bahia e Americanas. A Americanas, que entrou em recuperação judicial após a revelação de inconsistências contábeis de cerca de R$ 20 bilhões e dívidas próximas de R$ 40 bilhões, chegou a pedir à Justiça neste ano o encerramento do processo. Já a Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial neste mês, com R$ 17,3 bilhões em dívidas.
O caso da Casas Bahia foi citado por Reinaldo como exemplo das dificuldades do varejo. A companhia fechou 298 lojas durante seu processo de reestruturação e registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. Desse resultado, R$ 9,1 bilhões decorreram de efeitos contábeis não recorrentes, sem impacto no caixa no período.
A própria empresa relacionou sua situação a uma combinação de fatores, incluindo investimentos anteriores, pandemia, juros elevados e dificuldades de crédito.
Em Mato Grosso do Sul, o fechamento de unidades também provocou demissões. Segundo informações do SECCG (Sindicato dos Empregados no Comércio de Campo Grande) citadas pela campanha, 130 trabalhadores perderam os empregos com o encerramento de lojas da rede no Estado.
Reinaldo também criticou o aumento do custo de vida e o endividamento das famílias, que, segundo ele, reduzem o poder de compra e pressionam empresas e o comércio.
O candidato defendeu mudanças na condução da política econômica do país. “Hoje, está tudo caro, a receita está baixa e a economia não cresce”, afirmou.
Saúde também entra na pauta
Na mesma agenda, Reinaldo defendeu maior participação da União no financiamento da saúde e a atualização da tabela SUS (Sistema Único de Saúde) e do Teto MAC (Média e Alta Complexidade).
Segundo o candidato, a participação federal no custeio da saúde teria recuado de 52% para 40% nas últimas duas décadas. Ele argumentou que a defasagem dos repasses aumenta a pressão financeira sobre hospitais filantrópicos e Santas Casas.
Representantes do Hospital de Câncer Alfredo Abrão e do Hospital São Julião também defenderam a revisão dos valores destinados aos procedimentos realizados pelo SUS.
“A despesa aumentou muito, mas o recurso não é suficiente”, declarou Reinaldo.





