Política e Transparência

PF põe Lulinha no centro de suspeitas de corrupção nos bastidores do governo

Mensagens apreendidas citam sociedade com lobista, articulações em ministérios, projeção de ganhos milionários e entregas de dinheiro em espécie






Mensagens obtidas pela PF (Polícia Federal) colocam Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como uma figura relevante em projetos discutidos por um grupo que buscava intermediar negócios junto ao governo federal.

Os diálogos, divulgados pela revista Veja na quinta-feira (20) e também confirmados pela CNN, fazem parte de uma investigação que envolve a lobista Roberta Luchsinger e o empresário Fernando Bittar.

Segundo relatório da PF citado pela publicação, embora Lulinha apareça menos diretamente nas conversas, ele seria tratado por Roberta como uma "referência decisória" nos projetos negociados.

"Fábio não faz nada. Ele só entra em campo quando precisa. Tem que se preservar", escreveu a lobista em uma das mensagens.

Roberta, Lulinha e Bittar mantinham um grupo de WhatsApp chamado "Musaranhos", no qual discutiam projetos e possíveis negócios relacionados ao governo. Em uma das conversas, a lobista afirmou que ela e Lulinha "eram uma coisa só".

Acesso ao governo

As mensagens também indicam que Roberta dizia ter trânsito no Palácio do Planalto e na Esplanada dos Ministérios. Em janeiro de 2024, ela afirmou ao empresário Gustavo Gaspar que Lula teria oferecido a ela a possibilidade de escolher um cargo no governo, mas que preferiu continuar atuando em sociedade com Fábio e Fernando.

"Fui das poucas pessoas que o Lula chamou e perguntou: escolhe onde vc quer ficar", escreveu. Na sequência, disse que havia escolhido permanecer na sociedade e sem cargo público.

A investigação apura ainda uma possível atuação do grupo em favor de uma empresa ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", na área de produtos medicinais à base de cannabis. A suspeita é de tentativa de facilitar negócios com o Ministério da Saúde sem licitação.

R$ 100 milhões e dinheiro vivo

Os diálogos também mostram projeções de ganhos elevados. Em uma das mensagens, Roberta afirmou esperar receber R$ 100 milhões em 2024 com as operações.

A PF identificou ainda conversas nas quais a lobista orientava seu motorista sobre entregas de malas com dinheiro em espécie. Entre os destinatários mencionados estaria Fernando Bittar.

Em outro diálogo, durante uma conversa sobre uma viagem à África, Lulinha teria indicado que Roberta administrava suas finanças pessoais. "Você que cuida das minhas finanças", afirmou o filho do presidente, segundo as mensagens divulgadas.

O material integra as investigações da PF e, por si só, não representa conclusão sobre eventual responsabilidade criminal dos citados. (Com agências nacionais)