O TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) manteve na quinta-feira (20) a prisão do ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk (PL).
Por unanimidade, a 1ª Câmara Criminal rejeitou o habeas corpus apresentado pela defesa na tentativa de conseguir a soltura do ex-parlamentar, conforme reportagem do G1.
Com a decisão, Neno permanece preso em Campo Grande. O advogado Ricardo Pereira informou que pretende apresentar recurso ordinário constitucional ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) após a publicação do acórdão.
Neno foi preso em 2 de agosto, na Bolívia, depois de permanecer foragido desde 8 de julho. O nome do ex-deputado estava na Difusão Vermelha da Interpol, utilizada para localização internacional de procurados.
Após a prisão, ele foi entregue pelas autoridades bolivianas à PF (Polícia Federal), em Corumbá, e transferido para Campo Grande no dia seguinte.
Condenação a 15 anos
Neno Razuk foi condenado pela 4ª Vara Criminal a 15 anos de prisão por organização criminosa, roubo e exploração do jogo do bicho. Ele foi um dos alvos da Operação Successione, conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), ligado ao MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).
A ordem de prisão havia sido expedida em dezembro de 2025. A situação processual mudou após Neno perder o mandato de deputado estadual em maio deste ano, depois da recontagem dos votos das eleições de 2022. Com a alteração na composição da Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul), João César Mattogrosso assumiu a vaga.
Investigação aponta disputa pelo jogo do bicho
Neno, o pai, Roberto Razuk, os irmãos Jorge e Rafael Razuk e outras 16 pessoas respondem à ação penal relacionada à quarta fase da Operação Successione.
De acordo com a investigação do Gaeco, o grupo teria se organizado para controlar a exploração do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul e ocupar o espaço deixado após a Operação Omertà.
As apurações também relacionam integrantes do grupo a três roubos cometidos em Campo Grande, em outubro de 2023, contra funcionários de um grupo concorrente.
Em um imóvel no Jardim Monte Castelo, apontado na investigação como base das atividades, foram apreendidas mais de 700 máquinas utilizadas no jogo do bicho, além de celulares, computadores e planilhas. Segundo estimativa do MPMS, a movimentação financeira do esquema chegava a pelo menos R$ 600 mil por mês.
As buscas também resultaram na apreensão de R$ 274 mil e mais de mil euros em espécie. A Justiça determinou ainda, a pedido do MPMS, o bloqueio de R$ 36 milhões em bens da família Razuk.





