Sete dos oito candidatos ao Governo de Mato Grosso do Sul participaram, na manhã desta segunda-feira (17), do primeiro debate da campanha eleitoral. O governador Eduardo Riedel (PP), que disputa a reeleição, não participou do encontro promovido pela rádio Morena FM e pelo portal Primeira Página.
Estiveram no debate Daniel Lemes (PCO), Delcídio do Amaral (PRD), Fábio Trad (PT), Jefferson Bezerra (Agir), João Henrique Catan (Novo), Lucien Rezende (PSOL) e Renato Gomes (DC).
Sem Riedel no estúdio, a atual administração estadual apareceu diversas vezes nas falas dos adversários. Saúde, segurança pública, infraestrutura, políticas para povos indígenas, servidores públicos e denúncias envolvendo a administração estiveram entre os assuntos usados pelos candidatos para questionar o governo.
Apesar das críticas, o encontro transcorreu sem tumultos e não houve pedidos de direito de resposta.
O debate foi dividido em três blocos. Os candidatos responderam a perguntas entre si, com rodadas de temas determinados e livres, além das considerações finais.
Saúde abre discussões
Saúde mental e rede de apoio abriram o primeiro bloco. Jefferson Bezerra questionou João Henrique Catan sobre propostas para a área. Ao responder, Catan criticou a situação da saúde pública e mencionou investigações envolvendo recursos do setor.
Na sequência, Delcídio perguntou a Daniel Lemes sobre políticas destinadas à população LGBTQIAPN+ e aos povos indígenas. Lemes criticou a atuação do governo para esses grupos, enquanto Delcídio classificou a administração estadual como “elitista” e cobrou maior atenção às minorias.
Fábio Trad levou ao debate a situação dos idosos ao questionar Renato Gomes sobre a quantidade de centros de convivência existentes no Estado. Gomes aproveitou a resposta para criticar a saúde pública e fazer acusações contra a atual administração.
Segurança pública também entrou na discussão. Questionado por Renato Gomes, Lucien Rezende citou candidatos aprovados em concurso da PC (Polícia Civil) que aguardam nomeação e defendeu mudanças na área.
Outro assunto foi o feminicídio. Daniel Lemes questionou Delcídio sobre o enfrentamento à violência contra a mulher, e o candidato do PRD classificou como grave a situação registrada em Mato Grosso do Sul.
O déficit habitacional fechou a primeira rodada de perguntas. Jefferson Bezerra defendeu medidas para facilitar o acesso à moradia para famílias de baixa renda.
Rota Bioceânica entra no debate
No segundo bloco, de tema livre, a Rota Bioceânica foi um dos principais assuntos. Delcídio questionou Catan sobre os impactos do corredor para Mato Grosso do Sul.
Catan cobrou investimentos em rodovias e ferrovias e defendeu mudanças no Fundersul (Fundo de Desenvolvimento do Sistema Rodoviário de Mato Grosso do Sul). Delcídio, por sua vez, defendeu maior atenção à integração ferroviária com Bolívia e Peru.
A filiação de Fábio Trad ao PT também entrou no confronto. Questionado por Jefferson Bezerra, Trad afirmou compartilhar valores do partido relacionados ao combate à pobreza e à igualdade de oportunidades e declarou ter orgulho de ser o candidato apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A situação da Cassems (Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul) foi abordada por Catan em pergunta a Delcídio. Os dois fizeram críticas à atual situação da instituição e defenderam mudanças.
Agricultura familiar, geração de renda e políticas para pequenos produtores também tiveram espaço. Renato Gomes defendeu cooperativas de abate, enquanto Lucien Rezende falou em fortalecimento da agricultura familiar e criação de um cinturão verde.
Esporte, emprego e Pantanal
O terceiro bloco voltou aos temas determinados. Esporte foi o primeiro deles, com Daniel Lemes questionando Fábio Trad sobre políticas destinadas a atletas indígenas. Trad defendeu que o esporte seja tratado como política permanente de Estado.
Na discussão sobre emprego e renda, Delcídio afirmou que Mato Grosso do Sul precisa ampliar a qualificação profissional para que trabalhadores locais tenham acesso às vagas abertas por grandes empresas que se instalam no Estado.
Os conflitos envolvendo povos indígenas voltaram à pauta em uma pergunta de Lucien Rezende a Daniel Lemes. Os dois criticaram a condução das políticas estaduais destinadas às comunidades.
A Rota Bioceânica apareceu novamente, desta vez em pergunta de Renato Gomes a Jefferson Bezerra. Os candidatos defenderam uma avaliação dos impactos econômicos e sociais do corredor rodoviário para Mato Grosso do Sul.
O Pantanal também entrou no debate. Questionado sobre incêndios no bioma, Catan defendeu políticas que considerem não apenas a preservação ambiental, mas também as necessidades das comunidades pantaneiras. Delcídio cobrou maior presença do poder público nessas localidades.
Regionalização da saúde é alvo de críticas
A saúde voltou a ocupar espaço na reta final. Catan questionou Renato Gomes sobre o funcionamento dos hospitais regionais. Gomes criticou a aplicação dos recursos públicos, enquanto Catan defendeu a criação de uma tabela estadual do SUS (Sistema Único de Saúde) para ampliar o financiamento da rede hospitalar.
Fábio Trad perguntou a Lucien Rezende sobre o atendimento de média e alta complexidade no interior. Lucien afirmou que a falta de estrutura fora de Campo Grande contribui para a sobrecarga da rede da Capital e defendeu investimentos nos hospitais existentes.
Candidatos encerram com críticas e propostas
Nas considerações finais, os sete participantes aproveitaram o espaço para apresentar as principais mensagens de suas campanhas.
João Henrique Catan falou sobre custo de vida, infraestrutura e servidores públicos. Lucien Rezende criticou mudanças partidárias de lideranças políticas e pediu renovação na política estadual.
Renato Gomes voltou a abordar denúncias de corrupção e citou propostas relacionadas aos preços de medicamentos, alimentos e energia. Delcídio falou sobre a situação da Santa Casa de Campo Grande e defendeu a revisão de políticas estaduais.
Jefferson Bezerra pediu aos eleitores atenção na escolha dos candidatos. Daniel Lemes direcionou sua mensagem aos trabalhadores e defendeu o combate à corrupção.
Fábio Trad encerrou sua participação afirmando que pretende reduzir a desigualdade social e ampliar as oportunidades econômicas para a população.
O debate marcou o primeiro encontro entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso do Sul desde o início oficial da campanha eleitoral. Riedel foi o único dos oito concorrentes que não participou. (Com informações do G1MS)





