Política e Transparência

Decisão do STJ devolve mandato a vereador investigado em MS

Parlamentar de Terenos estava afastado desde novembro de 2025 e seguirá cumprindo medidas cautelares determinadas pela Justiça






O vereador de Terenos, Arnaldo Godoy Cardoso Glagau (PSD), poderá reassumir o mandato após decisão do ministro Ribeiro Dantas, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que estendeu ao parlamentar os efeitos da medida que já havia autorizado o retorno do prefeito Henrique Wancura Budke ao cargo. O afastamento do vereador durava desde novembro de 2025.

A defesa de Glagau argumentou que a situação jurídica do vereador era semelhante à do prefeito, também investigado no mesmo processo.

Ao analisar o pedido, o ministro entendeu que, como ambos foram afastados pelo mesmo período e nas mesmas circunstâncias, o parlamentar também deveria ser beneficiado pela revogação da medida.

Glagau é investigado por suposta participação em uma organização criminosa que, segundo o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), atuava dentro da Prefeitura de Terenos em um esquema de fraudes em licitações e desvio de aproximadamente R$ 16,5 milhões em recursos públicos. Durante as investigações, o vereador chegou a ser preso.

O caso foi revelado a partir das operações Spotless e Velatus, conduzidas pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul, que apuram a atuação do grupo em contratos públicos do município.

Apesar da autorização para retomar o mandato, o vereador continuará submetido às medidas cautelares impostas pela Justiça. Entre elas estão o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de manter contato com outros réus e testemunhas, a vedação de participar, direta ou indiretamente, de licitações e contratos com o poder público e a impossibilidade de exercer atividades parlamentares relacionadas aos contratos investigados.

Operação Spotless

A Operação Spotless foi deflagrada após a análise de dados e mensagens obtidos na Operação Velatus. Conforme o Gaeco, a organização criminosa manipulava processos licitatórios para favorecer empresas ligadas ao grupo, simulando concorrência entre participantes.

Ainda segundo a investigação, servidores públicos recebiam vantagens indevidas para atestar a execução de serviços e a entrega de materiais que, na prática, não teriam sido realizados. Durante a operação, foram cumpridos 16 mandados de prisão e 59 de busca e apreensão em Terenos e outros municípios. (Com Primeira Página)