Política e Transparência

Em tom diferente do Senado, Câmara barra avanço da pauta do agro

Hugo Motta sinaliza cautela com proposta de renegociação de dívidas aprovada pelos senadores






A pressão da bancada ruralista para acelerar a votação do projeto de renegociação das dívidas do agronegócio esbarra, neste momento, na falta de disposição do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), de levar o tema ao plenário.

Após a aprovação no Senado, representantes do setor intensificaram as articulações em defesa da proposta, mas os sinais indicam que o caminho será mais difícil na Câmara.

A sinalização do presidente da Câmara também é vista em Brasília como um indicativo de que outras pautas classificadas pelo governo como de risco fiscal devem enfrentar dificuldades semelhantes. A leitura entre governistas é que, diferentemente do Senado, a Câmara tende a adotar uma postura mais cautelosa diante desse tipo de iniciativa.

A posição de Hugo Motta também reforça uma diferença de postura entre os presidentes das duas Casas legislativas.

Enquanto o Senado, sob o comando de Davi Alcolumbre (União), tem permitido o avanço de propostas que geram desconforto na equipe econômica, a Câmara tem demonstrado maior receptividade aos alertas fiscais apresentados pelo governo.

Nos bastidores, ruralistas atribuem parte da resistência ao discurso adotado pelo governo nas últimas semanas. Parlamentares ligados ao setor afirmam que a equipe econômica inflou as estimativas de impacto fiscal e ajudou a consolidar a percepção de que o projeto representa uma ameaça às contas públicas.

Os defensores da proposta argumentam que o texto foi desenhado para atender produtores atingidos por perdas severas e não teria impacto direto sobre o orçamento primário da União.

Além da resistência política, a proposta também esbarra em um Congresso cada vez mais esvaziado e com a atenção dos deputados voltada à corrida eleitoral deste ano. (Com Blog da Juliana Lopes/CNN)