Uma reportagem do jornal britânico The Guardian, publicada nesta quinta-feira (22), afirma que a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodruíguez, e o irmão dela, Jorge Rodríguez, prometeram que iriam cooperar com o governo Trump após a captura do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro.
Segundo o veículo, citando quatro fontes envolvidas nas negociações, Delcy e Jorge, que é o presidente da Assembleia Nacional venezuelana, garantiram a autoridades do Catar e dos Estados Unidos que receberiam bem a deposição de Maduro.
O jornal relata que a conversa entre os americanos e Delcy, na época vice-presidente do país, começaram em setembro do ano passado e continuaram depois da ligação entre Maduro e Trump, em novembro.
De acordo com uma fonte que falou com o The Guardian em dezembro, a então vice-presidente teria dito durante as conversas com autoridades dos EUA, que o ditador "precisava sair" e que ela "lidaria com as consequências".
Mesmo tendo aceitado cooperar após a captura de Nicolás Maduro, as fontes afirmam que os irmãos não concordaram em ajudar os EUA a derrubá-lo.
No domingo (18) a agência de notícias Reuters, noticiou que as autoridades do governo Trump também estavam em contato com o ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, meses antes da operação que capturou Maduro, em 3 de janeiro.
A agência afirma, citando quatro fontes, que Cabello foi alertado contra o uso dos serviços de segurança ou de militantes do partido governista que ele supervisiona para atacar a oposição do país.
Apesar de ser citado na mesma acusação de tráfico de drogas dos Estados Unidos, que o governo americano usou como justificativa para prender Nicolás Maduro, ele não foi detido durante a operação.
As fontes da Reuters relatam também que a conversa entre o ministro e as autoridades dos EUA começaram no início do governo Trump, em 2025, e continuaram após a deposição do ditador da Venezuela.
Ele negou as informações em um comunicado: “O governo nacional desmente de maneira categórica a informação mal intencionada que circula em plataformas digitais. Ela é falsa e alude a supostas conversas secretas de natureza conspirativa”, declarou o ministério de Cabello.
Delcy Rodríguez tomou posse como presidente interina da Venezuela na segunda-feira (5), em uma cerimônia na Assembleia Nacional do país. Um dia antes, as Forças Armadas do país publicaram uma nota reconhecendo ela como líder interina.
Aos 56 anos, ela é conhecida por suas fortes ligações com o setor privado e trabalho no partido governista.
Também tomaram posse 283 parlamentares eleitos em maio do ano passado. A única parlamentar ausente foi a primeira-dama Cilia Flores, que está sob custódia dos EUA.
A Casa Branca e o governo venezuelano foram procurados pelo The Guardian mas não deram resposta. (Com CNN)






