A disputa pela presidência do Senado provocou um novo desgaste entre partidos de oposição ao governo Lula. Senadores do PP (Progressistas) reagiram aos ataques direcionados à senadora Tereza Cristina (PP-MS), pressionada por apoiadores de Rogério Marinho (PL-RN) a abandonar sua candidatura ao comando da Casa.
O episódio ameaça o entendimento entre os dois parlamentares para a apresentação de um nome único contra a reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
A insatisfação aumentou com o lançamento da candidatura de Marinho, previsto para esta quarta-feira (4), e com a circulação de publicações nas redes sociais e faixas em locais públicos cobrando a desistência da parlamentar sul-mato-grossense.
As manifestações são atribuídas a grupos bolsonaristas e foram consideradas inadequadas por integrantes do PP.
Tereza Cristina e Rogério Marinho haviam acertado que não disputariam a presidência do Senado um contra o outro. Pelo entendimento, ambos manteriam suas candidaturas até janeiro, quando o parlamentar com menor capacidade de reunir votos abriria mão da disputa em favor do outro.
Entretanto, aliados de Marinho passaram a defender que a senadora desista antecipadamente, sob o argumento de que o PL terá a maior bancada da Casa na próxima legislatura, com 29 senadores. Somados aos três parlamentares do Novo, seriam 32 votos potenciais para uma candidatura apoiada pelas duas legendas.
A pressão contrariou integrantes do PP, que consideram prematura qualquer definição antes da avaliação das condições políticas de cada candidatura.
Tereza Cristina mantém candidatura e resiste à pressão
Ex-ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro, Tereza Cristina tenta construir uma candidatura com apoio de parlamentares de centro, representantes do agronegócio e integrantes da bancada feminina.
A senadora reafirmou nesta terça-feira (3) que continua na disputa e pretende buscar apoio entre diferentes partidos.
“Rogério Marinho e eu conversamos muito sobre esse assunto, até por sermos do mesmo campo. A minha candidatura está mantida e a dele também. Vamos ver mais para frente. Temos pouco menos de 90 dias para isso. E eu quero ser a primeira mulher presidente do Senado”, declarou.
Marinho também confirmou o entendimento para evitar uma disputa direta entre os dois. Segundo ele, a oposição deverá avaliar qual candidatura reúne melhores condições de enfrentar Alcolumbre.
Apesar das declarações, o lançamento da candidatura do senador do PL aumentou o desconforto entre os progressistas. A expectativa é de que integrantes do PP não participem do ato organizado nesta quarta-feira.
Ataques podem aproximar PP de Alcolumbre
A continuidade das críticas contra Tereza Cristina pode produzir um efeito contrário ao pretendido pelos apoiadores de Marinho. Segundo parlamentares do PP, caso a pressão persista, integrantes da legenda poderão abrir negociações com Davi Alcolumbre.
O partido terá seis senadores na próxima legislatura. Nos cálculos apresentados por integrantes da bancada, dois votos são considerados favoráveis à reeleição de Alcolumbre, outros dois estão alinhados à oposição e os dois restantes permanecem indefinidos.
A situação é agravada pela posição da federação formada por PP e União Brasil, que anunciou apoio à recondução do atual presidente do Senado sem consultar previamente todos os parlamentares das duas legendas.
A decisão provocou resistência de Tereza Cristina e de outros senadores, entre eles Guilherme Derrite (PP-SP), eleito com apoio de setores da direita e contrário à permanência de Alcolumbre no comando da Casa.
O presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, participou da articulação que resultou no apoio formal da federação à reeleição de Alcolumbre. Entretanto, como a votação será secreta e individual, os senadores não são obrigados a seguir a orientação partidária.
Oposição busca unidade para enfrentar atual presidente
O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), afirmou que considera legítima a candidatura de Tereza Cristina e defendeu a construção de um entendimento entre os grupos de oposição.
Segundo ele, a senadora participa das articulações políticas do bloco e tem papel importante na organização da direita no Congresso.
A oposição também discute mecanismos para dar maior transparência à eleição da Mesa Diretora. Uma das propostas é incentivar os parlamentares a divulgar seus votos, mesmo que a escolha continue sendo realizada por votação secreta.
A medida é defendida por integrantes do PL que temem a transferência de votos para Alcolumbre, especialmente entre senadores eleitos com apoio de grupos conservadores.
A presidência do Senado é considerada estratégica porque o ocupante do cargo controla a pauta de votações e exerce influência sobre a tramitação de propostas e pedidos de impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).
A eleição está marcada para 1º de fevereiro de 2027. Para vencer, um candidato precisará conquistar pelo menos 41 dos 81 votos.
Até lá, a oposição terá de resolver a disputa entre Tereza Cristina e Rogério Marinho. A continuidade dos ataques à senadora de Mato Grosso do Sul poderá dificultar a construção de uma candidatura única e ampliar as divergências entre partidos que pretendem impedir a reeleição de Alcolumbre. (Com informações do Jornal de Brasília)





