As taxas do Tesouro Direto chegaram a 12,72% ao ano nem meio às incertezas sobre a inflação nos Estados Unidos e os próximos passos da política monetária americana.
O movimento amplia a remuneração oferecida aos novos investidores, mas também pode reduzir o valor de mercado dos títulos comprados anteriormente.
Segundo levantamento divulgado pelo InvestNews, o Tesouro Prefixado 2029 oferecia 12,54% ao ano, enquanto o título com vencimento em 2032 chegava a 12,72%.
Já o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 registrava taxa de 12,71%.
O Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos subiu 0,6% em setembro, acumulando alta de 3,7% em 12 meses.
O resultado acima das expectativas aumentou a preocupação dos investidores com a possibilidade de o Federal Reserve (Fed), banco central americano, manter os juros elevados por mais tempo.
Esse cenário pode pressionar os juros futuros brasileiros, influenciar o câmbio e elevar o custo de financiamento para empresas e consumidores.
Venda antecipada pode provocar prejuízo
Quando as taxas de mercado sobem, os preços dos títulos antigos tendem a cair. O mecanismo, conhecido como marcação a mercado, afeta principalmente os papéis com vencimentos mais longos.
Simulações citadas pelo InvestNews indicam que uma aplicação de R$ 10 mil no Tesouro Prefixado 2032 poderia apresentar desvalorização de aproximadamente R$ 91,55 em um dia. Em um título RendA+ 2065, a redução estimada chegaria a cerca de R$ 540.
Os valores são ilustrativos e dependem das condições de mercado. Quem mantém o título até o vencimento fica sujeito às condições de remuneração contratadas, enquanto o resgate antecipado ocorre pelo preço disponível no momento da venda.
Títulos atrelados à inflação também sobem
O Tesouro IPCA+ 2032 chegou a oferecer inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) mais 6,72% ao ano. O IPCA é o indicador oficial da inflação brasileira.
Apesar da proteção contra a inflação prevista nessa modalidade, os títulos também podem sofrer desvalorização antes do vencimento.
Para os investidores, a decisão exige avaliar o prazo da aplicação, a necessidade de liquidez e a capacidade de suportar oscilações. Taxas elevadas podem representar oportunidades, mas não eliminam os riscos associados à venda antecipada.
Fonte: InvestNews, com dados do Tesouro Nacional. Dados referentes a 14 de outubro de 2026.





