Política e Transparência

Flávio supera Lula em 92 das 100 cidades mais prejudicadas pelo tarifaço

Levantamento mostra que candidato do PL teve maioria dos votos em municípios atingidos pelas medidas comerciais de Donald Trump.






O senador Flávio Bolsonaro (PL) venceu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 92 dos 100 municípios brasileiros com maior volume de exportações afetadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos.

O resultado foi identificado em levantamento divulgado nesta quinta-feira (8), após o primeiro turno das eleições presidenciais.

O estudo, realizado pela Folha de S.Paulo, cruzou dados de exportações de 2025 com a relação de produtos atingidos pelas taxas estabelecidas pelo governo de Donald Trump.

Lula conseguiu a maior votação em apenas oito das cidades analisadas.

 
Entre os exemplos está Piracicaba, no interior de São Paulo, onde aproximadamente R$ 5,4 bilhões em exportações anuais estão sujeitos às tarifas americanas. No município, Flávio recebeu 63,4% dos votos, enquanto Lula ficou com 27,6%.

O levantamento também identificou mudanças no comportamento eleitoral. Cidades como Ouro Branco (MG), Ribeirão Pires (SP) e Bituruna (PR), que haviam dado maioria a Lula em 2022, passaram a registrar vantagem para Flávio neste ano.

As tarifas americanas chegaram a 37,5% sobre determinados produtos brasileiros, atingindo setores industriais e exportadores. Durante a campanha, aliados de Lula procuraram associar o adversário às medidas adotadas por Trump, enquanto Flávio buscou se distanciar dos efeitos econômicos das restrições comerciais.

Especialistas apontam diferentes explicações para o resultado, incluindo possíveis insatisfações com os prejuízos econômicos e a identificação política dos eleitores. No entanto, não é possível afirmar que as tarifas determinaram diretamente o voto, já que muitas dessas cidades apresentavam maioria bolsonarista em eleições anteriores.

Em todo o Brasil, Flávio Bolsonaro foi o mais votado em 2.907 municípios, o equivalente a 52% das cidades. Lula liderou em 2.663, representando 48%.

Os dois candidatos disputarão o segundo turno em 25 de outubro, quando os eleitores decidirão quem ocupará a Presidência da República pelos próximos quatro anos. (Com informações da Folha)