A China ampliou o mercado para produtos suínos brasileiros com a assinatura de um novo protocolo sanitário que autoriza a exportação de miúdos internos, como fígado, rins e estômago. A medida pode abrir espaço para mais de 100 mil toneladas por ano e acrescentar mais de US$ 100 milhões à receita do setor, segundo estimativa da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
O acordo foi formalizado em Brasília pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e pelo embaixador chinês no Brasil, Zhu Qingqiao.
Até então, o acesso brasileiro ao mercado chinês era mais restrito. Santa Catarina, por exemplo, já tinha autorização para exportar determinados miúdos externos, como pés, orelhas e rabos. Com o novo protocolo, produtos internos também passam a fazer parte da lista.
Frigoríficos brasileiros que já possuem habilitação para exportar produtos suínos à China poderão solicitar a ampliação do escopo para incluir os itens contemplados no acordo.
Impacto nos estados
A projeção da ABPA considera principalmente o potencial de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Para Santa Catarina, a estimativa é de espaço para 65,9 mil toneladas anuais de miúdos internos. No Rio Grande do Sul, o potencial supera 40 mil toneladas.
Em Mato Grosso do Sul, ainda não há uma estimativa específica de volume ou receita relacionada à nova abertura. O Estado, porém, vive um momento de crescimento na produção de suínos.
Entre janeiro e julho deste ano, foram abatidos 2,1 milhões de suínos sob fiscalização federal em Mato Grosso do Sul, alta de 16% em relação ao mesmo período de 2025. O Estado ocupa a quinta posição nacional em número de animais abatidos.
Apesar do avanço da produção, a maior parte dos suínos sul-mato-grossenses ainda é destinada ao mercado interno. Entre 1,6% e 1,8% da produção segue para exportação, conforme dados apresentados pela cadeia produtiva.
As negociações para ampliar o acesso ao mercado chinês avançaram em maio, quando Brasil e China definiram requisitos técnicos para a revisão do protocolo de carne suína e subprodutos. A assinatura realizada neste fim de semana concluiu essa etapa.
O processo também foi favorecido pelo reconhecimento de todo o território brasileiro como livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), obtido em maio de 2025. Capital News





