A carne bovina brasileira encontrará uma barreira bem mais cara para entrar em seu principal mercado externo a partir de outubro.
A China confirmou a cobrança de uma tarifa adicional de 55% sobre os volumes enviados pelo Brasil que ultrapassarem a cota estabelecida para 2026.
O limite brasileiro, de aproximadamente 1,1 milhão de toneladas, foi totalmente utilizado em 29 de setembro. Com o teto atingido, os embarques excedentes passam a ficar sujeitos à sobretaxa chinesa.
Na prática, o peso tributário é ainda maior. Dentro da cota, a carne brasileira paga tarifa regular de importação de 12%. Acima do limite, entram os 55% adicionais, levando a tributação total a 67%.
A medida preocupa especialmente porque a China é, de longe, o principal destino da proteína brasileira. Em 2025, os chineses compraram 1,68 milhão de toneladas, o equivalente a 48% de toda a carne bovina exportada pelo Brasil. As vendas renderam aproximadamente US$ 8,9 bilhões.
O teto definido por Pequim para este ano ficou, portanto, muito abaixo do volume negociado entre os dois países em 2025. Com a cota esgotada antes do fim do ano, frigoríficos brasileiros terão de avaliar se compensa continuar embarcando com a tributação maior ou direcionar parte da produção para outros mercados.
Cotas para diferentes fornecedores
A restrição não foi criada exclusivamente contra o Brasil. A China adotou um sistema de salvaguardas com cotas para diferentes fornecedores como forma de proteger sua produção doméstica. A Austrália, por exemplo, também ultrapassou seu limite e passou a enfrentar a mesma sobretaxa sobre o excedente.
O impacto, porém, tende a ser particularmente relevante para o Brasil devido à dependência do mercado chinês. A Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) estima que as exportações brasileiras de carne bovina podem terminar 2026 cerca de 10% abaixo do volume registrado em 2025 diante das restrições chinesas e de outras barreiras comerciais.
O setor tenta ampliar mercados para compensar a perda de espaço na China. Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos, Indonésia e outros destinos estão entre as alternativas buscadas, mas nenhum deles, isoladamente, possui atualmente capacidade para absorver um volume semelhante ao comprado pelos chineses.
A salvaguarda chinesa deverá continuar pressionando o comércio de carne bovina nos próximos anos. Para o Brasil, o desafio passa a ser reduzir a dependência do maior comprador mundial enquanto tenta negociar condições que permitam recuperar espaço no mercado chinês.





