Política e Transparência

Base de Lula no Congresso votou contra proibir "jogo do tigrinho

Quase três anos antes de vetar bets às vésperas da eleição, PT articulou para derrubar emenda que barrava cassinos online






Quase três anos antes de o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidir proibir as bets no país, parlamentares da base governista atuaram para manter na legislação os cassinos on-line, categoria que inclui jogos como o popular “jogo do tigrinho”.

A discussão ocorreu em dezembro de 2023, durante a tramitação no Congresso do projeto que regulamentou as apostas esportivas de quota fixa. No Senado, uma emenda apresentada pelo senador Carlos Portinho (PL-RJ) propôs retirar os cassinos on-line do texto.

Na ocasião, o PT orientou sua bancada a votar contra a mudança. O então líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), justificou a posição pela necessidade de financiamento dos clubes brasileiros.

Apesar da orientação governista, o Senado aprovou a retirada dos cassinos on-line por 37 votos a 27. Como o texto havia sido modificado, a proposta retornou para nova análise da Câmara dos Deputados.

Câmara reverteu decisão do Senado
Na Câmara, o resultado mudou. Com articulação do PT e apoio de partidos como PCdoB, PV, Psol e Rede, os deputados derrubaram a alteração feita pelos senadores e mantiveram os jogos on-line no projeto.

Foram 261 votos pela manutenção dessa modalidade contra 120 favoráveis à retirada. Com isso, jogos de cassino pela internet permaneceram no marco regulatório aprovado pelo Congresso e posteriormente sancionado.

O cenário agora é diferente. Na sexta-feira (25), Lula assinou uma MP (Medida Provisória) para proibir as bets e os cassinos on-line no Brasil. A decisão foi tomada nove dias antes do primeiro turno das eleições de 2026.

O governo atribui a mudança aos efeitos sociais provocados pelas apostas e argumenta que a medida busca proteger a renda das famílias. Integrantes da oposição, por outro lado, acusam o Planalto de mudar de posição por interesse eleitoral.

A proibição representa, portanto, uma mudança em relação à posição adotada pela base governista durante a regulamentação do setor em 2023. A MP ainda precisa passar pelo Congresso para continuar valendo de forma permanente. (Com informações da CNN)