A Santa Casa de Campo Grande passa a ter um novo comando por determinação judicial. A Justiça afastou a diretoria corporativa, integrantes do Conselho de Administração e uma supervisora da instituição e entregou a gestão provisória ao médico Luiz Alberto Hiroki Kanamura pelo período inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação.
A medida, segundo reportagem do G1, foi determinada pelo juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, após pedido do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).
Além de retirar os atuais dirigentes do comando, a decisão impede a recondução da diretoria corporativa em novas eleições enquanto vigorar a medida cautelar.
A mudança ocorre em meio aos desdobramentos da Operação Antidotum, deflagrada em 11 de setembro para investigar suspeitas de fraudes e desvios de recursos da instituição.
Segundo o MPMS, os prejuízos identificados até agora ultrapassam R$ 4,9 milhões, mas o valor total ainda está sob apuração.
Crise ameaça serviços
Além das suspeitas envolvendo a administração dos recursos, documentos considerados pela Justiça apontam reflexos da crise financeira no funcionamento do hospital. Há registros de falta de materiais cirúrgicos, equipamentos e insumos, além de atrasos em pagamentos de equipes médicas.
Um dos pontos que pesaram na decisão envolve o serviço de anestesiologia. A empresa responsável notificou o hospital sobre a falta de pagamento de honorários desde maio e comunicou a rescisão do contrato, criando risco de interrupção dos atendimentos a partir de outubro.
Kanamura terá poderes para reorganizar a administração, negociar com fornecedores e credores, remanejar recursos, revisar contratos e atos relacionados às irregularidades investigadas, além de promover mudanças nas equipes. O gestor também deverá apresentar mensalmente à Justiça informações sobre a situação administrativa, financeira e operacional da instituição.
Operação investiga contratos
A Antidotum é conduzida pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) e pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), ambos do MPMS. A operação cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia.
Uma das frentes da investigação envolve um contrato para digitalização de prontuários médicos. O acordo previa R$ 1,8 milhão por ano durante três anos, totalizando R$ 5,4 milhões. Segundo o MPMS, aproximadamente R$ 1,4 milhão teria sido desviado somente no primeiro ano.
Os investigadores também apuram contratos da Operadora Santa Casa Saúde com empresas de um mesmo grupo econômico. Em 2025, aproximadamente R$ 9,6 milhões foram pagos a essas empresas, com prejuízo mínimo estimado em R$ 3,5 milhões, conforme a investigação.
Entre os afastados estão dirigentes, conselheiros e integrantes da estrutura administrativa. Parte deles já estava fora das funções em razão das prisões preventivas decretadas na Operação Antidotum.
A Santa Casa informou que não vai se manifestar sobre a decisão.
Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão em Campo Grande e Dourados (MS) e Goiânia (GO).
A investigação começou a partir de suspeitas em um contrato da Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande para a digitalização de prontuários médicos. O acordo previa pagamento de R$ 1,8 milhão por ano durante três anos, totalizando R$ 5,4 milhões.
Segundo o MPMS, cerca de R$ 1,4 milhão teriam sido desviados somente no primeiro ano do contrato.
A investigação também identificou suspeitas em contratos da Operadora Santa Casa Saúde, controlada pela associação. Segundo o Ministério Público, os contratos foram firmados com empresas do mesmo grupo econômico, cujo proprietário teria ligação com integrantes da diretoria do hospital.






