Campo Grande

Lixo e vandalismo viram rotina em canteiros do Centro de Campo Grande

Equipes encontram garrafas, plásticos e restos de carvão sobre plantas da 14 de Julho; espécies também sofrem com pisoteio e depredação






Garrafas de vidro, plásticos, restos de carvão, plantas pisoteadas e até dejetos humanos passaram a fazer parte da rotina encontrada pelas equipes responsáveis pelos canteiros da região central de Campo Grande.

Depois de noites de maior movimento, parte do trabalho de jardinagem precisa ser refeita por causa da sujeira e da depredação.

Um dos pontos mais afetados fica na Rua 14 de Julho, especialmente nas proximidades do Relógio Central.

As marias-sem-vergonha plantadas ao pé do monumento sofrem com o pisoteio frequente de pedestres e frequentadores da região.

O problema também alcança outras espécies utilizadas no paisagismo, como jiboias, bromélias, girassóis-mirins, chuvas-de-prata e beijinhos. Além dos danos às plantas, trabalhadores encontram resíduos descartados diretamente sobre os jardins.

Na 14 de Julho, restos de carvão utilizados por vendedores de espetinhos aparecem entre os materiais deixados nos canteiros, junto com embalagens, garrafas e outros resíduos. Em situações mais graves, as equipes relatam encontrar dejetos humanos.

A repetição dos problemas faz com que parte da manutenção semanal seja dedicada à recuperação de áreas que já haviam recebido limpeza e cuidados. Para os trabalhadores envolvidos no serviço, o cenário provoca a sensação de estar "enxugando gelo".

Manutenção vai da 14 de Julho à Afonso Pena

Os serviços são realizados pela Unidade Técnica de Agricultura Urbana do FAC (Fundo de Apoio à Comunidade) e abrangem alguns dos pontos de maior circulação da região central.

Na Avenida Afonso Pena, a manutenção compreende o trecho entre a Rua Calógeras e o Obelisco. Já na Rua 14 de Julho, o trabalho se estende do Relógio Central até a esquina com a Rua Mato Grosso.

Além da retirada de resíduos, as equipes cuidam do paisagismo e da conservação das plantas distribuídas pelos canteiros.

A presidente do FAC, Adir Diniz, afirma que a preservação depende também de quem circula pelo Centro. Segundo ela, os jardins foram implantados para melhorar o espaço urbano, mas acabam frequentemente atingidos por atos de vandalismo.

“A cidade é um espaço para todos nós aproveitarmos. Os jardins estão espalhados por vários canteiros para trazer beleza e produção de oxigênio. A cidade mais arborizada do Brasil merece ser também a mais florida”, afirmou.

Comerciantes ajudam a cuidar dos canteiros

Enquanto parte dos jardins sofre com depredação, comerciantes da região passaram a ajudar voluntariamente na conservação dos espaços próximos aos estabelecimentos.

Carla, de 22 anos, trabalha em uma cafeteria na Rua 14 de Julho e auxilia na rega das mudas. Para ela, a colaboração contrasta com a atitude de pessoas que pisam ou danificam as plantas.

“Deixa o centro bonito para a gente cuidar, a gente ajuda a molhar, mas várias pessoas não cuidam, pisam nas plantas, não têm a consciência de que é para o bem delas as plantas”, lamentou.

A promotora de vendas Andrea Elizabeth, de 42 anos, moradora do Jardim Leblon, também defende a conservação das áreas verdes do Centro. “Além de trazer uma beleza para a nossa cidade, você respira um ar mais puro, tendo plantas ao nosso redor”, disse.

Reconhecimento internacional contrasta com depredação

Os problemas encontrados no Centro ocorrem em uma cidade reconhecida internacionalmente pela arborização. Em 2026, Campo Grande recebeu pelo sétimo ano consecutivo o título de Tree City of the World, concedido no âmbito de iniciativa ligada à ONU (Organização das Nações Unidas).

O reconhecimento reforça o contraste entre a presença de áreas verdes na Capital e as dificuldades enfrentadas para conservar parte dos espaços públicos. No Centro, a manutenção dos canteiros acaba dependendo não apenas do trabalho das equipes, mas também do comportamento de quem utiliza diariamente a região.