Política e Transparência

Luiz Fux assume ação sobre visitas da esposa de Moraes ao Senado

Moraes havia sido sorteado relator no dia 18, mas, na última segunda-feira, 21, ele se declarou suspeito para julgar o caso






O ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), foi sorteado como novo relator do mandado de segurança que tenta obrigar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a liberar registros de entrada e saída de pessoas nas dependências da Casa.

Entre os nomes estão a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

A redistribuição ocorreu depois que Moraes deixou a relatoria. Ele havia sido escolhido por sorteio eletrônico no dia 18, mas, na segunda-feira (21), declarou-se impedido de analisar o processo por envolver a própria esposa.

No despacho, determinou o envio dos autos à Presidência do STF para uma nova distribuição.

A ação foi apresentada pelo vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo-PR). Além de Viviane e Vorcaro, o pedido busca informações sobre acessos ao Senado de outras pessoas, entre elas Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

Pedido foi negado pelo Senado

Antes de recorrer à Justiça, Kilter tentou obter os registros por meio da LAI (Lei de Acesso à Informação). O Senado negou o pedido sob o argumento de que os registros de acesso às dependências da Casa são dados de caráter pessoal.

Diante da negativa, o vereador acionou a Justiça Federal do Paraná. A 1ª Vara Federal de Curitiba, porém, declarou não ter competência para julgar o pedido porque a ação é direcionada contra Alcolumbre, que, na condição de presidente do Senado, possui foro que leva o caso ao STF.

O mandado de segurança chegou então ao Supremo e foi inicialmente distribuído a Moraes. Ao reconhecer o impedimento, o ministro citou o artigo 144, inciso IV, do CPC (Código de Processo Civil), que estabelece hipóteses em que um magistrado não pode atuar em processo envolvendo cônjuge ou parentes.

Agora, caberá a Fux analisar o pedido para determinar se o Senado deverá ou não fornecer as informações solicitadas.