Uma operação da PF (Polícia Federal) encontrou 23 trabalhadores em situação irregular e apreendeu 14 armas de fogo de grosso calibre em uma fazenda de Porto Murtinho.
A propriedade pertence a Aparecido Carlos Bernardo (União), o Carlos da UCP, candidato a deputado federal por Mato Grosso do Sul.
A ação, segundo reportagem do G1, foi realizada em conjunto com o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) e investiga a possível submissão de trabalhadores a condições análogas à escravidão, além de tráfico de pessoas para exploração laboral.
De acordo com a publicação, a investigação começou após informações de que estrangeiros estariam sendo recrutados informalmente e levados para trabalhar na propriedade rural em situação de vulnerabilidade.
Segundo a PF, os elementos reunidos até agora apontam indícios de falta de registro trabalhista, possível retenção de pagamentos e restrições para que os funcionários deixassem a fazenda. As circunstâncias ainda são investigadas e eventuais responsabilidades não foram definidas.
Arsenal na propriedade
Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão, os agentes encontraram 14 armas de fogo de grosso calibre e munições. Conforme a PF, o armamento estava irregular e parte das armas tinha a numeração suprimida.
A operação mobilizou equipes por terra e contou com apoio aéreo para chegar à propriedade, localizada na zona rural de Porto Murtinho.
A PF informou que as investigações continuam para esclarecer como os trabalhadores foram contratados, as condições às quais estavam submetidos e quem poderá ser responsabilizado pelos fatos apurados.
Candidato declarou patrimônio de R$ 28,7 milhões
Carlos da UCP disputa uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo União Brasil. Empresário do setor de educação, ele é fundador e CEO da UCP (Universidade Interamericana), instalada em Pedro Juan Caballero, no Paraguai.
Na declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral para as eleições deste ano, o candidato informou patrimônio de aproximadamente R$ 28,7 milhões.
Carlos já buscou outros cargos eletivos. Em 2022, tentou concorrer a deputado federal, mas teve a candidatura indeferida. Dois anos depois, participou da eleição para prefeito de Ponta Porã, sem conseguir se eleger.
Além da atuação no setor educacional, o candidato mantém vínculos empresariais com atividades como pecuária e transporte.
Até a divulgação das informações sobre a operação, não havia manifestação pública do candidato sobre as irregularidades investigadas na propriedade.





