Primeiro, eles viraram parte da paisagem de grandes centros brasileiros. No Rio de Janeiro, por exemplo, basta circular por regiões como Copacabana, Ipanema e Leblon para encontrar moradores e, principalmente, turistas usando patinetes elétricos para percorrer a orla. Agora, o modal também começa a fazer parte do cotidiano de Campo Grande.
Em apenas dois meses de operação, os patinetes compartilhados ultrapassaram 150 mil viagens e 50 mil usuários cadastrados na Capital. Na prática, são mais de 2,5 mil corridas por dia, considerando um período de aproximadamente 60 dias.
A diferença está também na forma de uso. Sem uma orla turística como pano de fundo, em Campo Grande os equipamentos passaram a dividir espaço com carros, ônibus, bicicletas e pedestres e são usados principalmente para encurtar deslocamentos do cotidiano.
O serviço da JET começou a funcionar na cidade em parceria com a Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito). Desde então, os patinetes se espalharam principalmente pela região central, parques e outros pontos de maior circulação.
A professora Fernanda Duarte, de 29 anos, está entre os usuários que incorporaram o equipamento à rotina. Trabalhando na região central, ela passou a utilizar o patinete para chegar às aulas e também para resolver compromissos pessoais durante o dia.
Segundo ela, a principal diferença está no tempo economizado em pequenos percursos, especialmente quando a alternativa seria enfrentar o trânsito ou fazer o trajeto a pé.
A experiência observada em Campo Grande acompanha uma tendência que ganhou força em cidades maiores, onde os patinetes deixaram de ser vistos apenas como opção de lazer e passaram a funcionar também como alternativa para a chamada "última milha" — aquele pequeno trecho entre um ponto de transporte coletivo e o destino final.
Popularização também exige regras
Com mais patinetes circulando pelas ruas, cresce também a preocupação com a convivência entre usuários, motoristas e pedestres. Os equipamentos disponíveis em Campo Grande têm velocidade máxima limitada a 20 km/h.
Em locais com grande circulação de pessoas, o próprio sistema reduz esse limite. No Parque Ecológico do Sóter e na Praça do Rádio Clube, por exemplo, o GPS identifica a localização e restringe automaticamente a velocidade para até 12 km/h.
O serviço só pode ser utilizado por maiores de 18 anos, com idade verificada pelo CPF durante o cadastro. Também é proibido transportar duas pessoas no mesmo equipamento ou conduzi-lo após o consumo de bebida alcoólica. O peso máximo permitido é de 120 quilos.
Depois da corrida, o usuário precisa estacionar o patinete em local autorizado e enviar pelo aplicativo uma fotografia mostrando onde o equipamento foi deixado.
As corridas são contratadas pelo aplicativo GO JET, que informa previamente os preços e pacotes disponíveis. Segundo a empresa, os usuários também contam com seguro durante os trajetos e atendimento 24 horas.
Se em cidades como o Rio de Janeiro o patinete elétrico se tornou uma imagem comum entre turistas percorrendo a orla, os primeiros 150 mil trajetos mostram que, em Campo Grande, o veículo encontrou outro caminho: o de entrar na rotina de quem busca percorrer pequenas distâncias sem tirar o carro da garagem.





