Brasil

Agronegócio aposta em Flávio Bolsonaro para derrotar Lula

Na Festa do Peão de Barretos, produtores rurais criticam o atual governo e dizem confiar no filho do ex-presidente Jair Bolsonaro para defender o setor






Vestindo chapéus e botas, milhares de vaqueiros incentivam o caubói montado sobre o touro bravo na maior festa de rodeio do Brasil: eles torcem para que o jovem vença a disputa, assim como apostam que Flávio Bolsonaro (PL) vai derrotar o presidente Lula (PT) nas eleições de outubro.

O poderoso setor do agronegócio se mantém fiel à direita e deve votar majoritariamente no filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), embora o ’01’, como o pai se refere a ele, gere menos entusiasmo.

Grandes e pequenos produtores rurais se encontram anualmente na Festa do Peão de Barretos, no interior de São Paulo, animada por exibições de touros vigorosos, cavalos elegantes e shows de música sertaneja, em um ambiente que remete ao Velho Oeste.

Ao lado de um amigo e vestindo uma camisa xadrez, o pecuarista Luiz Mário Pereira acompanha pelo telão de uma área VIP o campeonato de rodeio, disputado na arena, a poucos metros dali, em meio aos clamores do público e à narração enérgica de um animador.


Pereira percorreu 2.000 km de Sergipe, onde mora, para assistir a esta festa, que em sua 71ª edição recebeu quase um milhão de visitas durante dez dias.

Lula “precisa ver a gente com outros olhos”, diz ele à AFP, referindo-se ao setor do agronegócio. Jair Bolsonaro “tinha um olhar mais especial para o agricultor”, prossegue.

Como muitos, ele enumera críticas a Lula, da má gestão do país, a maior economia da América Latina, ao aumento de impostos para os ricos.
Flávio Bolsonaro, ao contrário, foi aplaudido quando prometeu “resgatar” o agronegócio, ao visitar a festa em sua primeira semana, em agosto.

Mas diferentemente de seu pai, que esteve ali na campanha pela reeleição, em 2022, o senador de 45 anos não montou a cavalo como um vaqueiro habilidoso no centro da arena.

“É a nossa esperança”, diz Pereira, para quem basta que Flávio seja filho do ex-presidente para depositar nele sua confiança contra Lula, de 80 anos, que tentará a reeleição. (Jornal de Brasília)