Campo Grande

Festa do PCC provoca transferências e pente-fino na Máxima da capital

Detentos flagrados em comemoração da facção foram retirados da unidade; investigação aponta drones como rota para entrada de drogas e outros ilícitos






A repercussão de uma comemoração atribuída ao PCC (Primeiro Comando da Capital) dentro do Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande desencadeou uma ofensiva da Polícia Penal na unidade. Detentos relacionados ao episódio foram transferidos e passaram a responder a procedimentos disciplinares.

A reação ocorreu depois que imagens feitas dentro do presídio vieram a público, informa reportagem do G1.

De acordo coma publicação, o vídeo mostra um grupo de internos reunido enquanto um deles discursa em referência à organização criminosa. Na mesa usada durante a comemoração aparecem porções enfileiradas de uma substância com características semelhantes às da cocaína.

Com o caso exposto, a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) colocou em prática a Operação Nêmesis. Os trabalhos começaram na tarde de terça-feira (1º), avançaram pela quarta-feira (2) e incluem buscas nas celas e demais espaços da Máxima.

O pente-fino permitiu identificar presos que teriam participado das irregularidades. Parte deles deixou a penitenciária e foi encaminhada para outras unidades, seguindo critérios de segurança definidos pela administração penitenciária.

A apuração não termina com as transferências. Cada envolvido identificado será submetido a PADIC (Procedimento Administrativo Disciplinar do Interno), instrumento utilizado para investigar violações das regras do sistema prisional.

A ofensiva mobiliza ainda a FPN (Força Penal Nacional), além de policiais penais e integrantes do Cope (Comando de Operações Penitenciárias) e da Gisp (Gerência de Inteligência do Sistema Penitenciário).

Drones entram no foco da apuração

Enquanto investiga a comemoração, a Polícia Penal tenta fechar uma das possíveis portas de entrada de materiais proibidos na Máxima. Levantamentos realizados pela Agepen indicam que drones vêm sendo usados para lançar ilícitos para dentro do complexo.

A dimensão do problema aparece nos números recentes. Em apenas cinco dias, entre 25 e 29 de agosto, equipes impediram 13 tentativas de entrega de materiais por meio desses equipamentos.

O reforço da fiscalização busca descobrir não apenas quem recebe os produtos dentro do presídio, mas também dificultar novos lançamentos e identificar outros envolvidos no esquema.

Festa pode pesar no cumprimento da pena

A participação na comemoração também pode trazer consequências além das medidas adotadas durante a operação. Demonstrações coletivas de apoio ou referência a organizações criminosas podem ser classificadas como falta disciplinar grave.

Caso as investigações apontem a prática de crimes, os presos ainda poderão responder criminalmente. As possíveis condutas serão analisadas individualmente à luz do Código Penal e da legislação sobre organizações criminosas.

As ações da Operação Nêmesis seguem na Máxima para localizar materiais proibidos, apurar responsabilidades e reforçar o controle sobre a atuação de grupos criminosos dentro da unidade.