O argumento usado pelo ministro Dias Toffoli, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), para suspender parte da campanha digital de Renan Santos (Missão), candidato à Presidência, poderia impactar 2,7 mil candidatos em todo o País.
Levantamento feito pelo Estadão a partir da base de dados do TSE mostra que 2.744 postulantes a cargos públicos nestas eleições não informaram nenhum endereço de redes sociais utilizadas por eles, segundo registros disponibilizados pela Corte Eleitoral até segunda-feira (31).
O número de candidatos pode ser ainda maior se considerados os que prestaram informações incompletas.
A lacuna na prestação de informação sobre sites usados na campanha atinge candidatos das mais variadas legendas. Do PT ao Cidadania. Do PL ao PSOL.
Parte desses candidatos utiliza as redes sociais para pedir votos aos eleitores. Entre os políticos nessa situação estão os deputados federais André Fufuca (PP) e Helio Lopes (PL), que tentam uma vaga no Senado por Maranhão e Roraima, respectivamente. Além deles, constam na lista os postulantes à Câmara Chico Rubens Paiva (PSB), pelo Rio, e José Carlos Eymael (DC), filho do ex-presidenciável Eymael (DC), por São Paulo.
Apesar de não terem fornecido informações sobre suas redes até o momento, os quatro usam ativamente seus perfis para campanha eleitoral.
No Instagram, Fufuca tem 141 mil seguidores e se apresenta como “candidato ao Senado”, com o lema “É hora de Fufucar”. Desde de 16 de agosto, início da campanha eleitoral, o ex-ministro do Esporte do governo Lula fez mais de 70 publicações na rede social, com imagens de eventos de campanha e vídeos de apresentação do candidato. Procurado, Fufuca garantiu que prestou a informação ao TSE.
Na mesma plataforma, Helio Lopes se identifica como candidato ao Senado por Roraima aos seus 1,9 milhão de seguidores. O aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro divulga vídeos de uma série de oração que criou para o período de 45 dias da campanha e “santinhos” ao lado de Bolsonaro e da ex-primeira-dama Michelle (PL) e do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
Já Chico Rubens Paiva impulsiona a própria campanha com base na história da família, retratada na obra “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional. Uma das fotos fixadas no Instagram dele é com o cineasta na premiação. A penúltima publicação inclui o tio, o escritor Marcelo Rubens Paiva, autor do livro homônimo que levou o enredo para as telonas. Cada um doou R$ 100 mil para a campanha.
Com 121 mil seguidores no Instagram, o ex-diretor de Descarbonização e Finanças Verdes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços é neto do ex-deputado Rubens Paiva, assassinado durante a ditadura militar, e da advogada Eunice Paiva, símbolo da busca pelos desaparecidos no regime.
Erro no processo
Ao Estadão, Chico Rubens Paiva disse informou todas as redes sociais e que houve erro no processo. Também disse que já acionou o advogado do PSB, que entrou com uma petição para corrigir as informações.
José Carlos Eymael não herdou apenas o clássico jingle do pai, mas faz dele o mote para se tornar mais conhecido pelos eleitores. Novato no Instagram, soma 309 seguidores até a noite desta segunda-feira.
O Estadão procurou também Helio Lopes e o TSE, mas não houve retorno. A reportagem tenta localizar José Carlos Eymael.
Informar sites e redes sociais é um dos requisitos para registrar a candidatura. A decisão de Toffoli, criticada por integrante do TSE ouvido pelo Estadão, se deu num processo que questiona o registro de Renan. O ministro solicitou esclarecimentos à defesa. Há a possibilidade de que o candidato fique fora das urnas.
Toffoli proibiu a realização de propaganda eleitoral na internet, assim como bloqueou repasses do fundo eleitoral à campanha. Também sustou gastos com eventuais recursos já destinados e o direito de participar de debates em rádio, televisão, podcast ou outros meios de comunicação.
Com tempo limitado de propaganda na TV e no rádio, as redes sociais são em geral a alternativa mais barata para os candidatos se mostrarem aos eleitores.
Estadão Conteúdo





