Jean Gabriel Rapini de Souza, de 24 anos, morreu na noite de segunda-feira (10) após ser baleado durante uma intervenção de policiais do Batalhão de Choque, em Campo Grande. Ele era passageiro de um veículo de transporte por aplicativo abordado na Rua Manoel Ferreira, próximo ao Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS), na região do Aeroporto.
A dinâmica da ocorrência, incluindo a informação de que o jovem teria efetuado um disparo, foi divulgada pela Polícia Militar e deverá ser apurada pela Polícia Civil e pela Polícia Judiciária Militar.

Abordagem e disparos
De acordo com o Batalhão de Choque, a equipe realizava patrulhamento pela Avenida Duque de Caxias quando identificou o carro de aplicativo. Os policiais afirmam que o comportamento do passageiro levantou suspeita, mas não detalharam qual atitude motivou o acompanhamento.
O veículo foi seguido até a Rua Manoel Ferreira. Na abordagem, o motorista deixou o automóvel e informou que trabalhava por aplicativo. Jean, no entanto, teria permanecido no interior do carro mesmo depois de receber ordem para desembarcar.
Ainda conforme a versão policial, após uma nova ordem, o passageiro saiu bruscamente, portando uma arma, e disparou em direção aos militares. Os policiais reagiram e atingiram o jovem.
O confronto mobilizou equipes policiais e provocou bloqueio temporário no trânsito nas proximidades da Avenida Duque de Caxias, da Rua Taquari e do IFMS.
Arma e droga apreendidas
Após os disparos, os policiais fizeram o desarme e recolheram um revólver calibre 32. Também foram encontrados 26 pinos de cocaína, segundo as informações divulgadas sobre a ocorrência.
O material foi encaminhado para os procedimentos periciais. A Polícia Civil deverá investigar a origem da droga e verificar eventual relação com o tráfico.
Atendimento e investigação
A própria equipe do Choque acionou socorro e levou Jean para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Vila Almeida. Ele recebeu atendimento médico, mas não resistiu aos ferimentos.
A Perícia Criminal esteve no local. Além da apuração conduzida pela Polícia Civil, a ocorrência será analisada pela Polícia Judiciária Militar, responsável por investigar as circunstâncias de intervenções policiais com resultado morte.

Histórico citado pela polícia
Segundo levantamento de registros policiais, Jean já havia sido apreendido na adolescência por envolvimento no roubo que resultou na morte do taxista que atuava no ponto do Shopping Campo Grande Luciano Barbosa Franco, de 44 anos, em abril de 2020, na Capital.
Na investigação daquele caso, a Polícia Civil apontou que Jean, então com 17 anos, estava no banco traseiro do táxi e teria efetuado o disparo que atingiu a cabeça do motorista depois do anúncio do roubo. O veículo da vítima foi localizado no Bairro Santa Emília, enquanto o corpo foi encontrado às margens da BR-262, na região do Indubrasil.
Ainda conforme os registros citados pelas autoridades, o jovem acumulava ocorrências por crimes como roubo, receptação, porte ou posse ilegal de arma de fogo, associação criminosa, ameaça, desacato, violência doméstica e tráfico de drogas. A morte foi apontada como a 101ª decorrente de intervenção policial em Mato Grosso do Sul neste ano.





