O casal preso após ser localizado com a bebê de 28 dias, desaparecida em Campo Grande e resgatada em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, deverá ser transferido para unidades prisionais de Ponta Porã, a 313 quilômetros da Capital. Conforme apurado, Alex Melo de Abreu e Suzilaine da Graça Costa permanecem na delegacia do município e aguardam encaminhamento após audiência de custódia.
Situação dos suspeitos
Depois de expulsos do Paraguai, Alex e Suzilaine foram entregues à Polícia Federal em Ponta Porã, onde tiveram a prisão comunicada ao juízo local. A expectativa é de que os dois sejam encaminhados para presídios da cidade, onde ficarão à disposição da Justiça brasileira pelo suposto envolvimento no sequestro da recém-nascida.
Equipes da DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), responsável pela investigação em Campo Grande, estão em Ponta Porã acompanhando depoimentos, análises de materiais apreendidos e demais desdobramentos do caso.
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Proteção e acolhimento da bebê
A bebê segue sob responsabilidade das autoridades de proteção. Após avaliação médica no Hospital Regional de Pedro Juan Caballero e procedimentos de repatriação, a menina foi acolhida em um abrigo de Ponta Porã, onde permanece em segurança.
A Vara da Infância e Juventude deverá definir se a criança será transferida para Campo Grande. Em caso de autorização, a SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social) será responsável pelo transporte até a Capital. Lá, a recém-nascida e seus familiares passarão por nova avaliação antes que a Justiça decida com quem ela ficará.
Investigação sobre o sequestro
A DEPCA continua a apurar as circunstâncias do desaparecimento da criança, ocorrido na quinta-feira (7), em Campo Grande. Segundo o boletim de ocorrência, a mãe, adolescente de 17 anos, conheceu uma mulher pela internet durante a gestação. Essa mulher teria oferecido um ensaio fotográfico e, depois, prometido pagar R$ 100 para que a jovem cuidasse de uma criança.
A mãe da bebê e a irmã dela, de 13 anos, foram levadas até um imóvel ligado à suspeita. Na madrugada, as duas teriam sido deixadas sem a recém-nascida em área de mata próxima à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Bairro Universitário. A partir da denúncia, a Polícia Civil, com apoio de forças de segurança na fronteira, iniciou buscas e acionou o Alerta Amber para ampliar a divulgação do caso.
No sábado (08/08), antes do resgate no Paraguai, um homem foi preso por equipe do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros). Ele seria proprietário de uma casa supostamente usada para esconder a criança. Familiares afirmaram que o imóvel havia sido emprestado a um conhecido, sem que o dono soubesse da finalidade.
Resgate no Paraguai
A recém-nascida foi encontrada por volta de 1h15 de domingo (09/08), em uma residência no bairro Virgen de Caacupé, em Pedro Juan Caballero. No local estavam Alex Melo de Abreu e Suzilaine, presos em flagrante pelas autoridades paraguaias.
O rastreamento de sinais telefônicos foi fundamental para que as forças de segurança chegassem ao endereço. A operação foi conduzida pela promotora Sandra Cecilia Díaz, em conjunto com o Comando Bipartite e agentes do Ministério Público, em cumprimento a mandado expedido pelo juiz criminal Álvaro Justo Rojas Almirón.
Durante a ação, além da prisão do casal, foram apreendidos celulares, documentos e um veículo Lifan azul. A bebê foi encaminhada ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero, onde passou por exames e teve o estado de saúde avaliado. Na ocasião, ela não possuía registro civil, certidão de nascimento ou CPF.
Antecedentes e origem dos documentos
A apuração aponta que Alex usava identidade falsa e estava foragido da Justiça. Durante a identificação, agentes constataram que ele se apresentava como Weliton Aparecido Lopes dos Santos para ocultar um mandado de prisão expedido pelo Tribunal de Justiça do Amazonas.
A ordem de prisão é relativa a condenação de 11 anos e 6 meses em regime fechado por homicídio de uma adolescente de 16 anos, atropelada em fevereiro de 2022, em Apuí (AM). Além desse caso, Alex possui outros registros policiais.
A investigação conduzida pela DEPCA prossegue para esclarecer como a bebê foi retirada de Campo Grande, qual foi o percurso até o Paraguai e qual teria sido o papel de cada pessoa envolvida no sequestro.





