Os brasileiros continuam confiando pouco nas instituições ligadas à política e mantêm no topo órgãos de segurança e educação. É o que mostra o ICS (Índice de Confiança Social) 2026, produzido anualmente pelo instituto Ipsos-Ipec e obtido em primeira mão pela CNN.
O levantamento, feito desde 2009, aponta estabilidade no índice geral: o país registrou 55 pontos numa escala de 0 a 100, praticamente o mesmo patamar dos últimos anos. O que também tem se repetido no estudo é uma maior confiança em pessoas e grupos próximos (63 pontos) do que em instituições (54 pontos).
No ranking das instituições, o Corpo de Bombeiros aparece na liderança pelo 17º ano consecutivo, com 86 pontos. Logo atrás vêm as escolas públicas (68 pontos), que subiram dois pontos em relação a 2025; a Polícia Federal (66), as igrejas (64) e as Forças Armadas (63). O predomínio é de instituições associadas à proteção, educação e convivência social.
No extremo oposto estão as organizações ligadas ao sistema político. Os partidos ocupam a última posição, com 30 pontos, seguidos pelo Congresso Nacional, com 34. Presidente da República e sindicatos aparecem com 42 pontos cada, e Governo Federal, com 46. O sistema eleitoral e as prefeituras registram 48 pontos.
Sensibilidade política
A desconfiança na política não é novidade, mas segue como um dos pontos mais sensíveis do estudo. Congresso e partidos recuaram três e dois pontos, respectivamente, na comparação com 2025.
Diretora do Ipsos-Ipec, Márcia Cavallari avalia que o estudo revela que o Brasil não é um país sem confiança, já que há esse sentimento em relação a pessoas próximas e instituições associadas à proteção e à educação. “O desafio continua sendo ampliar essa confiança para a esfera institucional e política”, afirma Márcia Cavallari, diretora da Ipsos-Ipec.
Uma novidade deste ano é a estreia dos Tribunais de Contas do Brasil na pesquisa, com 49 pontos — resultado próximo ao do Poder Judiciário, também com 49.
Diferenças sociais
A confiança também varia conforme o perfil da população. O Nordeste apresenta o maior Índice de Confiança Social do país (59 pontos), seguido pelo Sul (56). Entre as classes sociais, os maiores níveis de confiança institucional estão nas classes D/E (58 pontos). Já a confiança institucional é mais alta entre os mais jovens, de 16 a 24 anos (56 pontos), e entre pessoas com ensino fundamental (57 pontos), diminuindo conforme aumenta a escolaridade.
O ICS 2026 ouviu 2.000 pessoas em 130 municípios brasileiros, entre os dias 4 e 8 de julho de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. (Com Blog do Iuri Pitta/CNN)






