A reconfiguração política provocada pela janela partidária virou de cabeça para baixo o mapa de forças na Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul).
Com metade dos deputados trocando de legenda em apenas 30 dias, o grande vencedor do movimento foi o PL (Partido Liberal).
Liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e presidido no estado pelo ex-governador Reinaldo Azambuja, o partido saltou de uma bancada modesta para assumir, com folga, a maior representação da Casa.
O novo desenho foi oficializado no Diário Oficial da última terça-feira (13).
Antes da janela, o PL contava com apenas três parlamentares. Agora, chega a sete deputados estaduais, tornando-se a principal força dentro do Legislativo sul-mato-grossense.
Apesar da saída de João Henrique Catan, que migrou para o Novo, o partido compensou — e com sobra — ao manter nomes como Coronel David e Neno Razuk e atrair um bloco expressivo de parlamentares.
Vieram do PSDB os deputados Mara Caseiro, Zé Teixeira, Lucas de Lima e Paulo Corrêa. Do MDB, o reforço foi Marcio Fernandes. O resultado é uma bancada robusta, com peso político ampliado e maior capacidade de influência nas votações.
PSDB perde espaço e vê base esvaziar
Se o PL avançou, o PSDB foi um dos principais atingidos. A legenda perdeu nomes importantes e viu sua bancada encolher significativamente.
Permaneceram apenas os deputados Pedro Caravina e Lia Nogueira. A sigla ainda recebeu o reforço de Paulo Duarte, mas não foi suficiente para compensar as perdas sofridas durante a janela.
A movimentação também abriu espaço para novas legendas ganharem assento na Casa. O partido Novo passa a ter representação com a chegada de João Henrique Catan, enquanto o Avante estreia com a filiação de Lídio Lopes.
O crescimento dessas siglas, ainda que pontual, indica uma fragmentação maior do cenário político estadual.
Republicanos e PP também avançam
Outro destaque foi o Republicanos, que saiu de um único deputado para uma bancada de quatro parlamentares, com a chegada de Renato Câmara, Pedrossian Neto e Roberto Hashioka, que se somam a Antonio Vaz.
O PP também ampliou sua presença. Antes com dois nomes eleitos em 2022 — Gerson Claro e Londres Machado —, o partido agora conta também com Jamilson Name.
PT mantém base estável
Na contramão das mudanças, o PT manteve sua composição intacta, com os deputados Zeca do PT, Pedro Kemp e Gleice Jane. A estabilidade contrasta com a intensa dança de cadeiras vista em outras legendas.
No total, 12 dos 24 deputados estaduais trocaram de partido, redesenhando o cenário político da Alems e antecipando o clima de disputa para os próximos anos.
Com a maior bancada, o PL passa a ocupar posição estratégica nas articulações internas, influenciando desde a formação de blocos até a condução de pautas relevantes.





