A Rússia suspendeu temporariamente as exportações de nitrato de amônio, matéria-prima utilizada na adubação de áreas agrícolas, para focar no abastecimento interno, conforme informação divulgada pela agência de notícias Bloomberg. A medida restringe a oferta global de fertilizantes, em um mercado já fragilizado pela guerra no Irã.
A suspensão foi definida pelo Ministério da Agricultura russo e permanece em vigor de 21 de março a 21 de abril. Os fornecimentos previstos em acordos intergovernamentais estão isentos.
“A suspensão das exportações permitirá o fornecimento prioritário ao mercado interno durante o período de trabalho de campo da primavera e garantirá seu progresso ininterrupto em meio à crescente demanda de exportação por fertilizantes nitrogenados”, afirmou o ministério, segundo a publicação da agência.
A Rússia, segundo maior produtor mundial de fertilizantes, responde por cerca de 20% do comércio global de nutrientes.
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O anúncio ocorre em um momento em que o fluxo global de fertilizantes foi interrompido pela guerra no Irã. O Estreito de Ormuz movimenta cerca de um terço do comércio global de fertilizantes e foi fechado desde o início do conflito, no final de fevereiro.
Além disso, o Irã é um dos principais fornecedores de ureia ao Brasil, outro insumo utilizado na fertilização das lavouras.
Os riscos de abastecimento são agravados pelo fato de a China, maior produtora de nutrientes, também ter restringido as exportações. De acordo com a Bloomberg, agricultores do Hemisfério Norte geralmente aumentam a aplicação de nutrientes durante o período de plantio da primavera.
A escassez pode aumentar a competição pelos estoques limitados de fertilizantes no mercado global, elevando os custos dos agricultores e, consequentemente, aumentando os preços dos alimentos.
O conflito no Oriente Médio, que entrou na quarta semana, tem provocado repercussão imediata no agronegócio brasileiro. A principal consequência é o impacto no preço dos fertilizantes, insumos essenciais às lavouras de soja e milho, por exemplo, alguns dos principais cultivos agrícolas do Brasil.
O preço da ureia, utilizada na fabricação de fertilizantes nitrogenados, teve alta de 50% desde o início da guerra, chegando nesta semana a US$ 725 a tonelada, segundo a consultoria StoneX. No caso do MAP (fosfato monoamônico), cotado a US$ 845, a elevação foi de 14% no mesmo período.





