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Família de Eliza acusa Justiça de fechar os olhos para privilégios de Bruno

Carta denuncia viagens, aparições públicas e suposto descumprimento de regras enquanto ex-goleiro é considerado foragido






A família de Eliza Samúdio voltou a cobrar explicações e endurecer o tom contra o sistema judiciário ao divulgar uma carta aberta com duras críticas ao tratamento dado ao ex-goleiro Bruno Fernandes.

O documento, enviado à imprensa na terça-feira (17), levanta questionamentos sobre o cumprimento da pena e aponta supostos privilégios concedidos ao condenado, informa reportagem do G1MS.

Assinada por Sônia Fátima Moura, mãe de Eliza, e Maria do Carmo dos Santos, madrinha de Bruninho, a carta sustenta que Bruno teria circulado com liberdade incompatível com o regime imposto pela Justiça.

Entre os exemplos citados estão viagens para outros estados, participação em eventos públicos e até jogos de futebol — situações que, segundo as autoras, não condizem com a condição de apenado.

O texto também critica a demora na adoção de medidas por parte da Vara de Execução Penal, apontando que irregularidades teriam sido ignoradas por anos antes de qualquer providência efetiva.

Outro trecho classifica a postura do ex-jogador como um “deboche à Justiça”, especialmente diante da exposição pública enquanto a família da vítima ainda convive com a ausência de respostas — o corpo de Eliza nunca foi encontrado.

Além disso, a carta relembra episódios envolvendo o filho de Eliza, afirmando que Bruno resistiu inicialmente ao reconhecimento da paternidade e que houve falhas no pagamento da pensão, o que reforçaria, segundo a família, a sensação de impunidade e omissão do Estado.

Em resposta, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro informou que Bruno é considerado foragido após descumprir condições impostas para a manutenção do livramento condicional. A Justiça determinou a revogação do benefício e expediu mandado de prisão.

De acordo com o tribunal, o ex-goleiro não se apresentou após a decisão, e a defesa entrou com recurso, que ainda aguarda manifestação do Ministério Público. Até que haja nova deliberação, ele segue na condição de foragido.

Na carta, a família também amplia a crítica ao sistema como um todo, questionando a eficácia das punições em casos de violência contra a mulher e cobrando maior rigor no cumprimento das penas.

Entre os pedidos apresentados estão a investigação de deslocamentos sem autorização, atuação mais firme do Ministério Público e responsabilização pelo descumprimento das regras judiciais.

Ao final, as autoras afirmam que não buscam vingança, mas justiça. E garantem que continuarão denunciando o caso e pressionando por providências.