Policial

Em Ponta Porã, polícia apura tortura após mulher trans ser espancada

Vítima relata emboscada, agressões e ameaça de morte; três suspeitos, incluindo o namorado, foram levados à delegacia.






A Polícia Civil investiga um caso de tortura e agressão contra uma mulher trans de 29 anos ocorrido em Ponta Porã, na região de fronteira com o Paraguai.

A vítima relatou ter sido espancada e marcada com uma suástica nazista após ser atraída para uma casa com a promessa de pagamento por um serviço de limpeza e corte de grama.

De acordo com o registro policial, a mulher contou que foi chamada para ir até a residência de um casal para receber pelo trabalho.

Ela foi até o local acompanhada do próprio namorado, de 22 anos. No entanto, ao chegar ao endereço, teria sido surpreendida por uma sequência de agressões.

Segundo o relato, o dono da casa teria iniciado os ataques com a ajuda do companheiro da vítima. A mulher afirmou que tentou fugir, mas foi imobilizada.

A esposa do suspeito, de 25 anos, também teria participado das agressões e, em determinado momento, cravou uma faca no celular da vítima para impedir que ela pedisse socorro.

Ainda conforme o depoimento, a vítima sofreu socos, chutes e golpes com objetos. Em seguida, o homem teria pedido que a esposa aquecesse uma faca. Com o objeto quente, ele teria desenhado uma suástica nazista no braço esquerdo da vítima, próximo ao ombro.

Depois das agressões, a mulher afirmou que foi liberada, mas sob ameaça. Conforme o boletim de ocorrência, os suspeitos teriam dito que cortariam a cabeça dela com uma foice caso procurasse a polícia.

A vítima voltou para casa e, posteriormente, decidiu procurar ajuda e registrar a denúncia.

Suspeitos foram levados à delegacia

Durante as diligências, o primeiro suspeito localizado pelos policiais foi o namorado da vítima. Em depoimento, ele admitiu ter participado das agressões, mas disse que apenas segurou a companheira enquanto o casal a atacava.

Os outros dois suspeitos também foram procurados. Após tentativas de contato, o homem recebeu os policiais na casa onde o crime teria ocorrido. Ele alegou que havia combinado pagar a vítima por um serviço de faxina e afirmou que, no local, teria ocorrido apenas uma discussão entre ela e o namorado, que terminou em agressões.

Apesar das versões divergentes, os três envolvidos foram encaminhados para a Delegacia de Polícia Civil de Ponta Porã. O caso foi registrado como lesão corporal e tortura e segue sob investigação das autoridades.