Mensagens encontradas em celulares apreendidos durante a Operação Contenção Red Legacy revelam contatos diretos entre lideranças do CV (Comando Vermelho), no Rio de Janeiro, e do PCC (Primeiro Comando da Capital), com origem em São Paulo.
O material foi anexado ao inquérito da Polícia Civil e ajudou a sustentar a linha de investigação que aponta cooperação entre as duas maiores facções criminosas do país.
Entre os documentos recuperados pelos investigadores estão estatutos que destacam que o "crime fortalece crime", manifestos e comunicados internos das organizações.
Um dos textos, identificado como “comunicado geral” e datado de 25 de fevereiro de 2025, informa aos chamados gerentes das duas facções que teria sido firmada “uma nova aliança de paz, justiça, liberdade, lealdade e fraternidade” entre os grupos.
De acordo com a investigação, as mensagens indicam que integrantes das duas organizações mantiveram interlocução direta para tratar do fim de conflitos entre as facções em alguns estados e estabelecer novas bases de cooperação.
Durante as apurações, um dos interlocutores identificado nas conversas como "São Paulo" é um traficante apontado como integrante da chamada Sintonia Final do PCC — núcleo de liderança responsável por decisões estratégicas da facção paulista. Do lado do Comando Vermelho, as mensagens teriam sido enviadas por Edgar Alves de Andrade, conhecido como “Doca”, que aparece identificado pela expressão “Deus é fiel”.
Segundo a Polícia Civil, ambos teriam participado diretamente da redação do acordo que estabeleceu a nova aliança entre as organizações criminosas. Em uma das conversas analisadas, Doca também teria compartilhado com o interlocutor o Estatuto do Comando Vermelho. No dia em que o pacto foi fechado, o integrante do PCC afirma que aquele seria “um dia histórico”.
Os investigadores acreditam que o acordo intermediado tinha como objetivo encerrar confrontos entre as facções em diferentes estados da federação e também reduzir conflitos dentro do sistema prisional em todo o país. A negociação também previa cooperação mútua em rotas de tráfico de armas e drogas.
A guerra entre as duas facções vinha provocando prejuízos significativos para ambos os grupos, especialmente em estados fora das principais bases das organizações, como Rio de Janeiro e São Paulo, onde as disputas pelo controle do tráfico e de territórios vinham se intensificando.
Para a Polícia Civil do RJ, o material apreendido aponta que o Comando Vermelho passou a operar com uma estrutura de articulação nacional e internacional e com relações estratégicas com outras organizações criminosas.
Na operação deflagrada na quarta-feira (11), seis pessoas foram presas, incluindo um vereador do município do Rio de Janeiro. Em coletiva de imprensa, as autoridades reforçaram que as investigações continuam para aprofundar a apuração sobre a articulação entre as facções e a estrutura financeira e operacional do grupo. (Com CNN - RJ)






