O que aparentava ser apenas mais uma encomenda comum escondia um esquema de envio clandestino de medicamentos irregulares. Durante fiscalização no fluxo postal em Campo Grande (MS), canetas injetáveis para emagrecimento e outros remédios proibidos foram encontrados camuflados em potes de creme de cabelo, erva de tereré e embalagens de alimentos, numa tentativa de driblar a vigilância sanitária.
A apreensão, segundo reportagem do G1, ocorreu no Centro de Triagem e Distribuição dos Correios, no bairro Amambaí, em Campo Grande, e resultou no recolhimento de 2.071 unidades de medicamentos irregulares.
A ação integrou a Operação Visa Protege, realizada entre segunda-feira (2) e quarta-feira (4).
De acordo com a SES (Secretaria de Estado de Saúde), os produtos eram de origem paraguaia e não possuíam registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ou eram enviados sem qualquer comprovação fiscal, o que configura infração sanitária e risco à saúde pública.
Entre os itens apreendidos estavam medicamentos emagrecedores, esteroides anabolizantes, ampolas, remédios de uso controlado (tarja preta) e as chamadas canetas injetáveis para emagrecimento, que vêm sendo alvo de fiscalização em todo o país devido ao uso indiscriminado.
Disfarce para burlar fiscalização
Para tentar passar despercebidos, os medicamentos eram enviados de forma clandestina, misturados a objetos de uso cotidiano. Durante a inspeção por raio-X, os fiscais identificaram os produtos escondidos em:
potes de creme de cabelo
embalagens de alimentos, como sacos de feijão
frascos de óleo
erva de tereré
bolsas e copos térmicos
materiais escolares
Após a identificação das irregularidades, a Gerência de Segurança Empresarial dos Correios reteve os volumes por transporte inadequado, ausência de registro sanitário e descumprimento das normas de armazenamento.
Segundo a SES, parte dos medicamentos apreendidos exigia refrigeração entre 2 °C e 8 °C, condição que não foi respeitada durante o transporte, o que compromete a eficácia dos produtos e amplia os riscos ao consumidor.
A Operação Visa Protege foi coordenada pela SES e contou com a participação da Vigilância Sanitária Estadual, da Anvisa, da CVPAF-MS (Coordenação de Vigilância Sanitária de Portos, Aeroportos e Fronteiras de MS), do CRF-MS (Conselho Regional de Farmácia de Mato Grosso do Sul) e dos Correios.





