Mato Grosso do Sul

Pastagens degradadas diminuem em MS, mas recuperação ainda é desafio

Áreas com baixo vigor caem mais de 50% em 14 anos, mas Estado ainda tem 4,7 milhões de hectares a recuperar






Mato Grosso do Sul reduziu de forma expressiva as áreas de pastagens com baixo vigor nos últimos anos, indicando mudanças no modelo produtivo da agropecuária estadual.

Dados consolidados a partir do MapBiomas mostram que essas áreas passaram de 6,2 milhões de hectares em 2010 para 2,9 milhões em 2024 — queda de cerca de 52%.

Apesar do avanço, o Estado ainda contabilizava aproximadamente 4,7 milhões de hectares de pastagens degradadas passíveis de recuperação em 2023, segundo o PNCPD (Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas).

O passivo está ligado à expansão histórica da pecuária extensiva, marcada por baixa lotação animal, manejo inadequado e pouca reposição de nutrientes, cenário agravado por solos arenosos e períodos prolongados de seca.

Tecnologia e crédito puxam mudança no campo

A redução observada é atribuída principalmente à adoção de tecnologias de manejo, práticas de conservação do solo e à expansão de sistemas mais intensivos, como a ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta), que já ultrapassa 3,6 milhões de hectares no Estado.

Parte das áreas classificadas como de baixo vigor está no Pantanal, em campos nativos situados em zonas de uso restrito, protegidas por legislação ambiental e não passíveis de conversão. Técnicos também destacam que análises por imagens de satélite sofrem influência da sazonalidade, especialmente em períodos de estiagem, o que pode afetar a leitura dos índices de vegetação.

O secretário da Semadesc, Jaime Verruck, avalia que a recuperação das pastagens segue como um dos principais gargalos da agropecuária sul-mato-grossense.

“A recuperação de pastagens é estratégica para aumentar a produtividade e reduzir a pressão por abertura de novas áreas. O foco tem sido apoiar o produtor com base técnica e instrumentos financeiros”, afirmou.

Investimentos e programas em curso

Entre os principais mecanismos de apoio está o FCO (Fundo Constitucional do Centro-Oeste). Em 2023, mais de R$ 500 milhões foram direcionados a projetos de correção do solo e recuperação de pastagens no Estado. Desse total, cerca de R$ 180 milhões financiaram a reforma de pastagens e quase R$ 400 milhões foram aplicados em ações de correção do solo.

Além do crédito, o tema é tratado por meio de diferentes programas estaduais. O Prosolo (Plano Estadual de Manejo e Conservação de Solo e Água) atua na recuperação da fertilidade do solo e no controle de processos erosivos. Já o Precoce MS condiciona bonificações à adoção de práticas sustentáveis no manejo das pastagens.

Outras iniciativas, como o MS Irriga e o Plano Estadual ABC+, estimulam o uso racional da água, a intensificação sustentável da pecuária e a adoção de sistemas produtivos de menor impacto ambiental.

Embora os números indiquem avanço, especialistas avaliam que a recuperação das áreas degradadas ainda exige continuidade de investimentos, assistência técnica e adaptação às condições ambientais do Estado, sobretudo diante das mudanças climáticas e das exigências crescentes dos mercados consumidores.