Política e Transparência

Prefeitos pedem urgência a Hugo Motta no Marco do Transporte

Carta assinada por entidades do setor reforça pressão por votação imediata na Câmara.






Prefeitos de grandes cidades levaram ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, um alerta direto: sem mudanças estruturais e apoio federal, o transporte coletivo urbano corre risco de colapso em diversos municípios.

A cobrança foi feita durante encontro com a FNP (Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos), realizado na quarta-feira (4), em Brasília.

A principal demanda dos gestores é a tramitação em regime de urgência do Marco Legal do Transporte Coletivo (PL 3278/2021), já aprovado pelo Senado em 2024 e que agora aguarda análise na Câmara.

Para os prefeitos, qualquer atraso pode agravar a crise do setor, marcada por tarifas altas, queda no número de passageiros e dificuldade de manter contratos em funcionamento.

Liderada pelo presidente interino da FNP, Sebastião Melo, a comitiva defendeu que o projeto avance sem alterações que atrasem sua implementação. O requerimento de urgência já foi apresentado, mas o texto segue parado nas comissões permanentes da Casa.

“SUS do transporte coletivo”

Durante a reunião, Sebastião Melo classificou o projeto como um divisor de águas para a mobilidade urbana no país. Segundo ele, o marco cria bases para que União e estados deixem de ser apenas espectadores e passem a cofinanciar o sistema, hoje sustentado quase exclusivamente pelos municípios.

“Estamos falando do ‘SUS do transporte coletivo’. É uma lei geral que permite repartir responsabilidades e dar sustentação a um serviço essencial, que hoje os municípios coordenam sozinhos”, afirmou.

O prefeito de Goiânia e presidente da Comissão de Mobilidade Urbana da FNP, Sandro Mabel, reforçou que a proposta traz previsibilidade a um setor historicamente instável.
“Essa lei organiza o sistema e dá segurança jurídica ao passageiro, ao operador e aos entes federados. O setor precisa dessa estabilidade”, disse.

Segundo os prefeitos, o pedido de urgência foi bem recebido por Hugo Motta, mas eles defendem que a sinalização política se traduza rapidamente em votação em plenário.

O que está em jogo

Na avaliação da FNP, o Marco Legal do Transporte Coletivo cria condições para reduzir tarifas, melhorar a qualidade do serviço e evitar interrupções, ao estabelecer regras claras para concessões e financiamento.

Entre os principais pontos do projeto estão:

Apoio federal ao custeio da mobilidade urbana, hoje limitado por insegurança jurídica;
Destinação mínima de 60% da arrecadação da CIDE-Combustíveis para o transporte público;
Transparência obrigatória sobre custos, receitas, subsídios, gratuidades e indicadores de qualidade;
Segurança jurídica para contratos de concessão, reduzindo riscos de paralisações e disputas judiciais.
Para os prefeitos, a votação do projeto deixou de ser apenas uma pauta técnica e passou a ser uma decisão política urgente, diante do impacto direto do transporte coletivo na vida urbana e na economia das cidades.

União do setor pressiona Câmara

Além da mobilização dos prefeitos, o pedido de urgência para o Marco Legal do Transporte Coletivo ganhou apoio formal do setor produtivo e técnico. Uma carta assinada por oito entidades nacionais foi entregue ao presidente da Câmara, reforçando a necessidade de votação imediata do requerimento que acelera a tramitação do projeto.

O documento é resultado de um consenso construído no Fórum Consultivo de Mobilidade Urbana e reúne entidades que representam operadores, fabricantes, gestores públicos e especialistas em infraestrutura. Assinam a carta a NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), a ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos), a ANPTrilhos (Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos) e a FABUS (Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus).

Também manifestaram apoio o FNSTDMU (Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Públicos de Mobilidade Urbana), o Consetrans (Conselho Nacional de Secretários de Estado de Transporte e Mobilidade), o MDT (Instituto Movimento pelo Direito ao Transporte Público de Qualidade) e a ANEINFRA (Associação Nacional dos Analistas e Especialistas em Infraestrutura).

Prefeitos e parlamentares presentes
O encontro contou com a presença de prefeitos que ocupam cargos estratégicos na FNP. Participaram o presidente interino da entidade, Sebastião Melo (Porto Alegre/RS), o presidente da Comissão de Mobilidade Urbana, Sandro Mabel (Goiânia/GO), e a secretária-geral da FNP, Margarida Salomão.

Também estiveram presentes Eduardo Pimentel (Curitiba/PR), Kayo Amado (São Vicente/SP), Gilvan Ferreira (Santo André/SP), Rodolfo Mota (Apucarana/PR), Dário Saadi (Campinas/SP), Saulo Souza (Poá/SP), Topázio Neto (Florianópolis/SC) e Leandra Guedes (Ituiutaba/MG), além do secretário-executivo da FNP, Gilberto Perre.

Pelo Congresso Nacional, acompanharam a reunião os deputados federais Baleia Rossi (MDB-SP), José Priante (MDB-PA), relator do projeto, e Jilmar Tatto (PT-SP).