Política e Transparência

Sob pressão, Adriane troca secretários e tenta conter desgaste na gestão

A troca de secretários é vista nos bastidores como um movimento defensivo da prefeita para tentar recuperar fôlego político e reduzir o desgaste






Um dia após anunciar mudanças no primeiro escalão, a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), oficializou a troca no comando de três secretarias estratégicas — Governo, Fazenda e Saúde — em uma tentativa clara de reorganizar a administração e responder às críticas crescentes sobre a condução da gestão municipal.

A solenidade ocorreu na tarde de quinta-feira (8), no Teatro do Paço Municipal.

As mudanças ocorrem em meio a cobranças por resultados mais concretos, especialmente nas áreas de saúde, infraestrutura e serviços básicos, alvos frequentes de reclamações da população.

Ao discursar, a prefeita reconheceu dificuldades enfrentadas no primeiro ano da atual fase administrativa e afirmou que 2025 foi marcado por um processo de “reordenamento da casa”, sinalizando que as trocas fazem parte de uma estratégia para tentar reverter o cenário.

Segundo Adriane, a aprovação do plano de equilíbrio fiscal teria dado novo fôlego financeiro ao município, permitindo acesso a mais de R$ 160 milhões para investimentos em obras de drenagem, pavimentação e expansão urbana. A fala, no entanto, ocorre em um momento em que parte desses projetos ainda não chegou de forma perceptível aos bairros, o que aumenta a pressão sobre a administração.

Troca-troca

Na Secretaria Municipal de Governo e Relações Institucionais, Ulisses da Silva Rocha, que já vinha exercendo a função desde novembro, foi mantido no cargo. Ele terá a missão de intensificar o diálogo com a Câmara Municipal e acelerar respostas a demandas consideradas urgentes. O próprio secretário admitiu a necessidade de mudanças de ritmo e maior eficiência na solução dos problemas cotidianos da cidade.

Para a Secretaria Municipal de Fazenda e Planejamento, assumiu Isaac José Araújo, com o desafio de manter o equilíbrio das contas públicas e ampliar a arrecadação. A escolha reforça a tentativa da prefeita de blindar a gestão do ponto de vista fiscal, em um contexto de limitações orçamentárias e cobranças por mais investimentos.

Já na Secretaria Municipal de Saúde, a nomeação de Marcelo Luiz Brandão Vilela, que retorna ao comando da pasta, evidencia a preocupação da gestão com a crise no setor. Filas, demora em atendimentos e dificuldades no fornecimento de medicamentos seguem entre os principais focos de insatisfação da população.

O novo secretário afirmou que a prioridade será reorganizar os serviços e reforçar a articulação com Estado e União, numa tentativa de destravar gargalos históricos da rede municipal.

Investimentos

A cerimônia contou com a presença da senadora Tereza Cristina (PP-MS), que mencionou a destinação de R$ 20 milhões para a compra de medicamentos e cerca de R$ 90 milhões para a obra do viaduto conhecido como “Coca-Cola”.

Mesmo com os anúncios, a troca de secretários é vista nos bastidores como um movimento defensivo da prefeita para tentar recuperar fôlego político e reduzir o desgaste de uma gestão que ainda enfrenta resistência e críticas em diferentes frentes da cidade.