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Trump usa caso Flávio Bolsonaro para mobilizar republicanos nos EUA

Além de suposta fraude no segundo turno, senador brasileiro aponta perseguição política do governo do PT de Lula, com anuência do ministro do STF, Alexandre de Moraes.






Donald Trump já incorporou a eleição brasileira à campanha nos Estados Unidos e deverá intensificar o uso político do episódio com a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL) no país.

Além de suposta fraude no segundo turno das eleições, senador brasileiro aponta perseguição política do governo do PT de Lula, com anuência do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes. 

A avaliação de analistas políticos ouvidos pela reportagem em território americano é que o presidente poderá transformar o caso em um alerta à sua base na reta final das eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.

O movimento começou a aparecer publicamente na terça-feira (27), durante um comício em Corpus Christi, no Texas. Ao acusar os democratas de fraudar eleições, Trump incluiu o Brasil na comparação e perguntou aos apoiadores se haviam acompanhado o ocorrido. A referência levou a disputa brasileira diretamente ao palanque republicano, uma semana antes da votação americana.

Na avaliação dos analistas consultados, a chegada de Flávio oferece um novo elemento para essa narrativa. O senador brasileiro, recebido nos Estados Unidos pelo governo Trump, poderá ser apresentado aos conservadores como símbolo das denúncias de perseguição política e fraude eleitoral.

A mensagem buscaria convencer o eleitor republicano de que precisa votar para impedir que seus adversários ampliem o poder em Washington. Ou seja, o caso brasileiro poderá ser usado nestes últimos dias de corrida eleitoral para reforçar o senso de urgência entre os apoiadores do presidente e estimular o comparecimento às urnas.

Essa leitura sobre os próximos passos de Trump se apoia nas manifestações públicas do presidente e na avaliação dos especialistas ouvidos pela reportagem. As acusações de fraude na eleição brasileira veem desde a campanha eleitoral de 2022. 

O paralelo entre Brasil e Estados Unidos também foi explicitado por Steve Bannon, ex-estrategista da Casa Branca e figura influente no movimento conservador americano. Ao comentar o resultado brasileiro, Bannon afirmou que, sem uma reação, algo semelhante aconteceria nos Estados Unidos na terça-feira seguinte, em referência às eleições de meio de mandato.

Espaço no discurso conservador 

A manifestação de Bannon reforça a avaliação de que o episódio poderá ganhar espaço no discurso conservador durante os últimos dias da campanha. Para os analistas consultados, Trump deverá aproveitar essa repercussão para associar o apoio a Flávio à necessidade de fortalecer os candidatos republicanos.

Para analistas, a presença de Flávio poderá ajudar Trump a apresentar essa eleição como uma disputa de consequências mais amplas para a direita, recorrendo ao Brasil como exemplo em seus apelos ao eleitorado.

Trump também tem procurado preservar margem de atuação em relação ao Brasil. Na quarta-feira (28), ao ser questionado sobre a reivindicação de Flávio de que seria o verdadeiro presidente eleito, respondeu que não comentaria o assunto e afirmou que não iria se envolver. Ao mesmo tempo, voltou a classificar a eleição como “muito estranha” e disse considerar injusto o tratamento recebido pelo senador e sua família.

Na avaliação dos especialistas consultados, essas declarações permitem que Trump manifeste solidariedade ao aliado e explore eleitoralmente o episódio sem assumir publicamente um compromisso com a contestação do resultado brasileiro.

A expectativa dos analistas é que o presidente intensifique essa abordagem até a votação, buscando converter a repercussão do caso em mobilização para os candidatos republicanos.