A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que venceu o senador Flávio Bolsonaro (PL) por cerca de 4,4 milhões de votos no domingo (25), deve levar a uma alta das taxas do Tesouro Direto nesta segunda-feira (26).
Gestores e economistas preveem que os títulos prefixados e atrelados à inflação devolvam parte, ou até a totalidade, da forte queda de juros que se seguiu ao primeiro turno, quando o mercado passou a apostar na vitória do candidato do PL.
Segundo especialistas ouvidos pelo InfoMoney, o movimento tende a ser intenso porque os preços já embutiam um governo Flávio.
O Tesouro Prefixado 2032 recuou de 14,15% ao ano na abertura de 2 de outubro, último pregão antes do primeiro turno, para 12,89% no fechamento de sexta-feira (23). No mesmo período, o Tesouro IPCA+ 2050 foi de IPCA + 7,06% para IPCA + 6,42%.
“Você tem uma piora que tende a ser bem mais intensa do que a melhora que aconteceria com a eleição do Flávio”, disse Luiz Cesario, economista-chefe da Asset1, antes do segundo turno.
Alfredo Menezes, CEO e CIO da Armor Capital, projeta alta de pelo menos 1 ponto percentual nas taxas longas em caso de vitória de Lula. O sócio de uma grande gestora independente, que pediu anonimato, espera que o juro real volte ao nível anterior ao primeiro turno ou suba ainda mais.
Para Bruno Corano, economista da Corano Capital, o mercado já havia precificado boa parte de uma vitória de Flávio e, por isso, a correção com a reeleição tende a ser mais forte e mais rápida. Ele vê espaço para os juros futuros de longo prazo voltarem à faixa de 14% a 15%, igualando ou superando o nível de antes do primeiro turno, já que o mercado passaria a incorporar também o custo das medidas anunciadas no ano eleitoral.
Na marcação a mercado, o impacto é maior nos títulos mais longos. Pelos cálculos do InfoMoney, uma alta de 1 ponto percentual na taxa reduziria o preço do Tesouro IPCA+ 2050 em cerca de 20%, enquanto o Tesouro Prefixado 2032 perderia cerca de 4,4% e o Prefixado 2029, cerca de 2%. A conta considera a taxa de fechamento de sexta e o prazo até o vencimento de cada título.
Para o JPMorgan, as taxas dos títulos públicos podem chegar a 15,5% em um cenário pessimista. O banco, no entanto, diz em nota a clientes preferir aguardar a reação do mercado antes de ajustar sua recomendação, já que “a reprecificação do primeiro dia pode ser considerável, como foi após o primeiro turno”. (Infomoney).





