Política e Transparência

Preso com R$ 127 mil e panfletos, assessor de Lídio Lopes perde cargo

Preso com R$ 127 mil e material de campanha, assessor de Lídio Lopes perde cargo na Assembleia






A Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul) desligou do quadro de servidores o assessor parlamentar José Antônio Pires de Souza, de 71 anos, conhecido como Zé Bocão, que foi preso transportando R$ 127 mil em dinheiro e materiais de campanha do deputado estadual Lídio Lopes (Avante).

A exoneração, segundo o G1MS, foi assinada em 9 de outubro pelo presidente da Assembleia, Gerson Claro (PP), com efeitos retroativos a 1º de outubro, um dia após a prisão do então assessor.

José Antônio ocupava um cargo comissionado no gabinete de Lídio Lopes desde agosto de 2019.

O desligamento ocorreu depois que ele foi flagrado com o dinheiro durante uma abordagem policial na rodovia MS-180, entre Iguatemi e Japorã, no sul de Mato Grosso do Sul.

O caso aconteceu em 30 de setembro, às vésperas do primeiro turno das eleições. Segundo a Polícia Militar, o veículo conduzido pelo assessor chamou a atenção por trafegar em alta velocidade.

Durante a fiscalização, os policiais perceberam o nervosismo do motorista e decidiram vistoriar o automóvel.

Na revista, foram encontrados 11 pacotes contendo cédulas de dinheiro, além de santinhos, adesivos e outros materiais de propaganda eleitoral relacionados à campanha de reeleição de Lídio Lopes.

Conforme o registro policial, José Antônio afirmou que havia saído de Campo Grande com destino a Mundo Novo, onde entregaria os valores e os materiais. Questionado sobre a origem do dinheiro, não apresentou esclarecimentos.

A ocorrência ganhou novos desdobramentos quando, segundo os militares, o assessor teria oferecido R$ 5 mil a cada policial para evitar sua condução à delegacia. A tentativa de suborno resultou na prisão em flagrante.

Após ser encaminhado à Polícia Civil de Iguatemi, José Antônio passou por audiência de custódia e recebeu liberdade provisória mediante pagamento de fiança de R$ 32,4 mil.

A defesa argumentou que a prisão preventiva não seria necessária, considerando também a idade e as condições de saúde do investigado. A Justiça estabeleceu medidas cautelares, incluindo o comparecimento aos atos processuais e restrições para deixar a comarca sem autorização.

Investigação apura origem dos recursos

A apreensão levantou suspeitas sobre a possível utilização do dinheiro em práticas eleitorais irregulares. A investigação busca esclarecer a procedência dos valores e se houve tentativa de compra de votos.

O aparelho celular do ex-assessor também foi apreendido, e a Justiça autorizou a análise de seus dados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Eleitoral.

José Antônio tem histórico na política de Mundo Novo, município onde exerceu cinco mandatos como vereador e chegou à presidência da Câmara Municipal.

Até a publicação das informações consultadas, a defesa do ex-assessor e a assessoria do deputado Lídio Lopes não haviam apresentado manifestação sobre o caso.

A apreensão do dinheiro e a prisão em flagrante não representam, por si só, comprovação de compra de votos. As circunstâncias da ocorrência e a eventual responsabilidade dos envolvidos dependem da conclusão das investigações.