Política e Transparência

Flávio Bolsonaro e Lula adotam estratégias distintas na reta final da campanha

Presidente aposta em reajuste de benefício e votação no Congresso, enquanto adversário questiona medidas anunciadas perto da eleição






A última semana antes do segundo turno presidencial começa nesta segunda-feira (19) com uma disputa concentrada em dois temas: programas sociais e segurança pública.

De um lado, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca destacar medidas de seu governo. Do outro, Flávio Bolsonaro (PL) intensifica as críticas e questiona o momento escolhido para anunciar mudanças.

A votação está marcada para domingo (25), em um cenário de disputa apertada. Pesquisa Quaest divulgada em 14 de outubro apontou Flávio com 51% dos votos válidos e Lula com 49%, resultado considerado empate técnico pela margem de erro de dois pontos percentuais.

Um dos principais assuntos da semana será o reajuste do Bolsa Família. A partir desta segunda-feira, os beneficiários começam a receber R$ 691, aumento de 15,04% em relação ao valor anterior de R$ 600.

O reajuste foi anunciado 17 dias antes do primeiro turno e passou a ser questionado pela campanha de Flávio Bolsonaro. O senador acusa o governo de utilizar a medida para obter apoio eleitoral e critica o fato de a mudança ocorrer somente no fim do mandato.

O valor anterior de R$ 600 havia sido estabelecido em 2022, durante o governo Jair Bolsonaro, também em ano eleitoral, quando o Congresso autorizou o aumento temporário do então Auxílio Brasil.

Segurança pública entra no centro da disputa

Outro ponto de confronto será a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública, que o governo pretende levar à votação no Senado nesta terça-feira (20) ou quarta-feira (21).

A proposta é considerada importante para os planos de Lula de criar um Ministério da Segurança Pública, separado do Ministério da Justiça. A análise, entretanto, foi adiada na semana passada após a apresentação de emendas relacionadas à redução da maioridade penal.

A campanha de Flávio pretende explorar o impasse. O candidato defende o endurecimento das leis penais e questiona a posição do PT sobre a redução da maioridade penal, tema que voltou às discussões no Congresso.

O assunto ganhou peso na campanha após pesquisa Datafolha, divulgada em 15 de outubro, apontar a segurança pública como o principal problema do país para 20% dos entrevistados. Saúde apareceu com 18%, seguida pela economia, com 15%.

Campanhas intensificam viagens e ataques

Além das discussões sobre programas sociais e segurança, os dois candidatos devem ampliar a presença nos estados considerados estratégicos.

Lula pretende concentrar esforços em São Paulo e Minas Gerais, além de buscar eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno. O presidente também procura destacar a aprovação de medidas no Congresso, como o fim da escala de trabalho 6x1, cuja promulgação ocorreu na sexta-feira (16).

Flávio Bolsonaro, por sua vez, planeja novos atos de campanha e compromissos ao lado de aliados, incluindo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O senador também utiliza as redes sociais para divulgar críticas ao governo, principalmente sobre criminalidade, custo de vida e políticas sociais.

A disputa terá mais um momento decisivo na sexta-feira (23), quando está previsto o último debate televisionado entre os candidatos, dois dias antes da votação.

Até lá, Lula e Flávio tentarão transformar as discussões sobre medidas do governo e propostas para o próximo mandato em argumentos para conquistar os eleitores ainda indecisos.