O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que desconhecia a ausência de reajuste do Bolsa Família durante seu terceiro mandato e atribuiu a correção anunciada em setembro à descoberta do problema.
A declaração foi feita na quinta-feira (15), durante entrevista à TV Globo, em meio à disputa do segundo turno presidencial.
O benefício permaneceu sem correção desde 2023 e recebeu aumento de aproximadamente 15% poucas semanas antes do primeiro turno.
Questionado sobre a proximidade entre o anúncio e as eleições, Lula negou motivação eleitoral e sustentou que determinou o reajuste assim que tomou conhecimento da situação.
Segundo o presidente, a falta de atualização dos valores provocou uma cobrança aos integrantes do governo. Ele classificou como inexplicável a ausência de correção pela inflação e afirmou ter ordenado a recomposição do benefício.
A justificativa, porém, contrasta com discussões anteriores dentro do próprio governo. Em fevereiro de 2025, o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, já havia mencionado publicamente a possibilidade de reajuste. Na ocasião, o governo descartou a medida, que só foi anunciada em setembro deste ano.
Com a atualização, o valor mínimo do Bolsa Família passou de R$ 600 para R$ 691. O governo informou que a correção considera a inflação acumulada desde 2023 e representa um custo adicional estimado em R$ 5,8 bilhões ainda em 2026.
A medida também foi questionada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Em sua defesa, a campanha de Lula argumentou que o reajuste representa uma recomposição do poder de compra dos beneficiários, e não a criação de um novo benefício com finalidade eleitoral.
Além do Bolsa Família, o governo anunciou recentemente outras medidas econômicas e sociais, incluindo propostas de apoio aos MEIs (microempreendedores individuais), renegociação de dívidas e gratuidade do transporte público aos fins de semana.
As iniciativas foram apresentadas durante o período eleitoral, enquanto Lula disputa a Presidência com o senador Flávio Bolsonaro (PL). O segundo turno está marcado para 25 de outubro. (Com Jornal de Brasília)






