A Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) de Campo Grande prepara uma nova ofensiva contra o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya.
A estratégia prevê mutirões, fiscalização de imóveis e mobilização dos moradores, principalmente em oito bairros classificados com risco muito alto de proliferação do vetor.
O reforço ocorre às vésperas do período chuvoso, quando o acúmulo de água e as temperaturas elevadas favorecem a reprodução do mosquito.
Apesar da redução dos registros de dengue neste ano, as equipes de vigilância encontraram focos em 684 imóveis durante uma única semana de inspeções.
As áreas que exigem maior atenção são Centro, Chácara dos Poderes, Santo Amaro, Carvalho, Noroeste, Nova Lima, Carlota e Santo Antônio. A classificação foi identificada em levantamento dos índices de infestação do mosquito na Capital.
Ao todo, os agentes vistoriaram 20.364 imóveis no período analisado. Segundo a Sesau, aproximadamente 80% dos focos estão dentro das propriedades, o que amplia a necessidade de participação dos moradores no combate aos criadouros.
Dengue recua, mas risco permanece
Dados da vigilância epidemiológica apontam que Campo Grande registrou 1.614 notificações de dengue em 2026, contra 4.603 no mesmo período do ano passado. A redução é de aproximadamente 65%, conforme levantamento atualizado até 24 de setembro.
O município também contabilizou 43 casos confirmados de chikungunya e um de zika. Até a divulgação dos dados, não havia registro de mortes por arboviroses neste ano.
Outro indicador, referente aos casos prováveis de dengue, apresentou queda de 534 registros em 2025 para 57 em 2026. No ano passado, houve uma morte pela doença.
Apesar da melhora nos números, a superintendente de Vigilância em Saúde, Veruska Lahdo, alertou que o cenário exige atenção contínua, especialmente diante das condições climáticas previstas para os próximos meses.
A preocupação é evitar que a diminuição dos casos resulte em relaxamento das medidas preventivas, permitindo uma nova expansão dos focos do mosquito.
Mutirões terão apoio de diferentes setores
O planejamento das ações foi discutido na terça-feira (13), durante a quinta reunião do Comitê Municipal de Enfrentamento às Arboviroses, realizada no CRF-MS (Conselho Regional de Farmácia de Mato Grosso do Sul).
A proposta é concentrar os esforços nas regiões mais vulneráveis, com mutirões de limpeza, visitas de agentes de endemias e campanhas de orientação.
A mobilização deverá envolver secretarias municipais, Exército, associações de moradores e representantes da iniciativa privada. As datas e os locais dos próximos mutirões ainda não foram divulgados.
Criado em março deste ano, o comitê reúne instituições responsáveis por discutir medidas de prevenção e controle das doenças transmitidas pelo mosquito.
Combate começa dentro de casa
Com a proximidade das chuvas, a principal orientação é eliminar recipientes que possam acumular água, como pneus, garrafas, vasos de plantas e materiais descartados em quintais.
Calhas, ralos e caixas-d'água também precisam de inspeção frequente, já que podem se transformar em criadouros quando não recebem manutenção adequada.
A presença de focos em centenas de imóveis demonstra que, mesmo com a redução das notificações, o mosquito continua circulando em Campo Grande. O desafio agora é impedir que o período chuvoso provoque uma nova alta de dengue, zika e chikungunya na Capital.





