Política e Transparência

Flávio e Lula disputam 9,3 milhões de votos e miram abstenção no Nordeste

Candidatos separados por pouco mais de 2,2 milhões de votos no primeiro turno agora buscam eleitores dos derrotados e tentam mobilizar quem ficou fora das urnas






A corrida presidencial entra no segundo turno com dois grandes grupos de eleitores no centro das estratégias de Flávio Bolsonaro (PL) e do presidente Lula (PT).

De um lado estão mais de 9,3 milhões de votos dados aos candidatos eliminados. Do outro, um contingente de 33,4 milhões de brasileiros que não compareceu às urnas no domingo (4).

Flávio terminou o primeiro turno na frente, com 56,1 milhões de votos, ou 47,03% dos válidos. Lula recebeu 53,8 milhões, equivalente a 45,16%.

A distância de pouco mais de 2,2 milhões de votos coloca a transferência dos eleitores dos demais presidenciáveis entre os principais pontos da campanha até a votação de 25 de outubro.

Os outros candidatos concentraram 7,81% dos votos válidos. Entre eles estão Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). Caiado e Zema já anunciaram apoio a Flávio, enquanto Cury e Renan não declararam apoio a nenhum dos dois candidatos até o momento.

A distribuição desses votos também chama atenção das campanhas. Somente em São Paulo, os candidatos que ficaram fora do segundo turno receberam cerca de 2,5 milhões de votos. Em Minas Gerais foram aproximadamente 1 milhão e, no Rio de Janeiro, cerca de 700 mil.

Goiás aparece entre os estados onde esse eleitorado teve maior peso proporcional. Cerca de 13,8% dos votos válidos foram destinados a outros candidatos. O estado foi governado por Caiado nos últimos dois mandatos e deu 53% dos votos a Flávio no primeiro turno, contra 31% para Lula.

Nordeste entra na disputa pela abstenção

Se Flávio busca incorporar principalmente os votos de candidatos eliminados, a campanha de Lula também volta as atenções para quem não participou do primeiro turno. O Nordeste, principal reduto eleitoral do petista, registrou aproximadamente 8 milhões de ausentes.

Lula venceu nos nove estados nordestinos e terminou a votação regional com 21,49 milhões de votos, ou 63,77% dos válidos. Flávio somou 10,39 milhões, equivalente a 30,85%. A diferença entre os dois na região passou de 11 milhões de votos.

Apesar da vantagem de Lula, Flávio ampliou a presença do bolsonarismo no Nordeste na comparação com 2022. O senador recebeu cerca de 1,6 milhão de votos a mais do que Jair Bolsonaro havia conquistado no primeiro turno quatro anos atrás e cresceu nos nove estados da região.

A Bahia concentra o maior número de ausentes do Nordeste, com aproximadamente 2,2 milhões. Pernambuco teve cerca de 1,3 milhão de eleitores que não compareceram, enquanto o Ceará passou de 1 milhão.

No país inteiro, a abstenção atingiu 21,08%, maior índice registrado em um primeiro turno presidencial, deixando 33,4 milhões de eleitores fora da votação. São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, justamente os três maiores colégios eleitorais do Brasil, também aparecem entre os estados com grande volume de ausentes.

A partir de agora, as duas campanhas têm pouco menos de três semanas para tentar ampliar suas bases. Além da busca pelos mais de 9 milhões de votos que ficaram com os candidatos derrotados, mobilizar parte dos milhões de eleitores que não compareceram no primeiro turno tornou-se outra frente da disputa até 25 de outubro. (Com Jornal de Brasília)