Policial

Justiça barra júri de três acusados por execução com 15 tiros em Campo Grande

Jovem foi executado com 15 disparos dentro de estabelecimento; magistrado considerou insuficientes os indícios contra os réus






Quase um ano e três meses após um jovem ser morto a tiros dentro de uma tabacaria em Campo Grande, três acusados pelo crime não irão a júri popular, ao menos neste momento.

A Justiça, segundo o G1, decidiu pela impronúncia dos réus após concluir que as provas reunidas no processo não eram suficientes para submetê-los a julgamento.

Kaio Henrique Pires dos Santos, Jhullisson Fernando da Silva e João Vitor da Silva Bento eram acusados pela morte de Lucas Ribeiro Pastor, de 24 anos, além da tentativa de homicídio de Danilo Teixeira dos Santos de Souza.

O ataque aconteceu na madrugada de 7 de julho de 2025. Lucas estava em uma tabacaria quando um homem usando capacete entrou no estabelecimento e efetuou uma sequência de disparos.

A vítima foi atingida várias vezes e morreu no local. Danilo também foi atingido, mas sobreviveu.

Na cena do crime, a perícia encontrou 15 estojos de munição e nove projéteis, dimensão que reforçou a característica de execução atribuída ao homicídio durante as investigações.

Ao longo do processo, no entanto, a acusação encontrou dificuldades para estabelecer a participação dos réus. Testemunhas ouvidas judicialmente não conseguiram apontá-los como autores do ataque, e o sobrevivente também não reconheceu os acusados.

Parte das suspeitas havia sido construída durante a investigação policial, inclusive a partir de informações sobre ameaças que Lucas teria recebido antes de morrer. Para a Justiça, porém, os elementos não foram confirmados de maneira suficiente durante a fase judicial.

Diante da falta de indícios considerados sólidos de autoria, o juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida decidiu não encaminhar os três acusados ao Tribunal do Júri.

A impronúncia não significa absolvição definitiva. Caso apareçam novas provas capazes de reforçar a autoria do crime, a acusação poderá ser retomada dentro dos limites previstos em lei.

Com a decisão, também foi revogada a prisão preventiva de Kaio, com determinação para expedição do alvará de soltura. Outro homem que havia sido denunciado no mesmo processo, Guilherme Soares Gomes de Oliveira, morreu durante a tramitação da ação e teve a punibilidade extinta.

As circunstâncias que antecederam o assassinato também fizeram parte da investigação. Lucas teria recebido ameaças antes de ser executado, e uma motocicleta foi vista nas proximidades da tabacaria pouco antes dos disparos.