Política e Transparência

Avanço da direita muda equilíbrio de forças no Congresso a partir de 2027

Centrão é maioria, mas perde espaço para direita e ultraconservadorismo no Congresso






PL amplia bancadas na Câmara e no Senado, enquanto partidos de centro perdem cadeiras na nova composição do Legislativo

O resultado das eleições redesenhou a divisão de forças no Congresso Nacional para a próxima legislatura. Embora partidos de centro ainda reúnam um número expressivo de parlamentares e mantenham peso nas negociações, o crescimento da direita, principalmente do PL, reduziu o espaço ocupado pelo chamado Centrão.

Na Câmara dos Deputados, o PL terá a maior bancada partidária. O partido elegeu 127 deputados, enquanto o bloco formado por sete partidos de centro soma 245 parlamentares. Atualmente, esse mesmo agrupamento reúne 272 deputados, o que mostra uma redução de espaço na Casa.

O bloco inclui a federação União Progressista, com 87 eleitos, além do PSD, com 43; Republicanos, 41; MDB, 36; Podemos, 27; e a federação PSDB-Cidadania, com 11.

Do outro lado, partidos de esquerda e centro-esquerda somam 124 deputados. A federação formada por PT, PCdoB e PV terá 88 cadeiras, enquanto PSOL-Rede e PSB elegeram 15 deputados cada e o PDT, seis.

A mudança também aparece no Senado e de forma ainda mais acentuada. Levantamento do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar) aponta que a bancada classificada como de direita passou de 32 para 48 senadores. Já o centro-direita caiu de 21 para oito cadeiras.

O PL também ampliou sua presença no Senado e chegará à próxima legislatura com 28 parlamentares, 13 a mais que anteriormente.

A nova configuração deve ter impacto também na disputa pelo comando da Câmara. O líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), tem manifestado interesse em concorrer à Presidência da Casa em 2027. Apesar do crescimento da legenda, uma eventual candidatura dependerá da construção de apoio entre diferentes partidos.

Com o novo desenho, o centro perde cadeiras, mas continua relevante para a formação de maiorias, enquanto a direita chega fortalecida às negociações que definirão o comando e a pauta do Congresso a partir do próximo ano. (Com R7)